O presidente da China, Xi Jinping, recebeu na última sexta-feira o novo primeiro-ministro de Bangladesh, Tarique Rahman, em mais um encontro que integra uma série de reuniões com líderes globais ao longo deste ano. Essa sequência de visitas ao país asiático ilustra a estratégia de Xi para expandir a influência e os laços econômicos da China, além de buscar um "novo equilíbrio de poder" que desafie a hegemonia ocidental.

O encontro com Rahman ocorreu menos de duas semanas após a visita do presidente do Myanmar, Min Aung Hlaing, que também é chefe do exército do país. Em maio, Xi já havia recebido líderes de nações como Estados Unidos, Rússia e Paquistão, além de ministros de Relações Exteriores de várias nações.

Até agora, mais de uma dezena de líderes, incluindo Vladimir Putin e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, passaram por Pequim. William Yang, analista sênior do International Crisis Group, afirmou que essa série de visitas demonstra o crescente reconhecimento da influência global da China.

Os líderes que visitam a China têm enfatizado a importância de estabelecer relações independentes com Pequim, especialmente em um contexto de incerteza nas políticas dos Estados Unidos. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, destacou essa oportunidade para que países de "médio porte" construam vínculos diretos com a China.

Com essas reuniões, a China se posiciona como uma alternativa estável e uma fonte de financiamento, especialmente para nações em desenvolvimento, enquanto os EUA parecem se afastar de sua posição de liderança global. O apoio de Xi a regimes autoritários, como o de Min Aung Hlaing, reforça essa estratégia, ao sinalizar aceitação da legitimidade do governo militar em Mianmar.

Esse movimento é parte de uma tentativa mais ampla de Xi em moldar a ordem internacional, defendendo que nenhum país deve interferir nos assuntos internos de outros. Além disso, a abordagem de Pequim em relação a líderes de países menos ricos faz parte de um esforço para transferir o poder da democracias avançadas para o Sul Global, com a China se colocando como líder deste novo bloco.