Lena Castello Branco

Elizabeth Abreu Caldeira

Lena Castello Branco Ferreira de Freitas, natural de Parnaíba (PI), nasceu em 1929 e estabeleceu-se em Goiânia no final da década de 1940. Sua carreira é caracterizada pela docência, pesquisa histórica e reflexão literária. Doutora em História e professora titular da Universidade Federal de Goiás, Lena se destacou como uma intelectual orgânica, atuando em diversas frentes institucionais e culturais.

Cargos e Contribuições Acadêmicas

Ao longo de sua carreira, Lena ocupou posições de destaque, como a Direção do Instituto de Ciências Humanas e Letras da UFG e a assessoria do reitor da mesma instituição. Também foi ativa no Ministério da Cultura e no Iphan, além de coordenar o Projeto Alcântara (MA) e ter atuado como Diretora-Geral do INEP/MEC. Sua presença em instituições culturais e científicas é notável, sendo membro da Academia Goiana de Letras, da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, entre outras organizações.

A obra de Lena aborda a intersecção entre História, Literatura e Memória, refletindo um olhar interdisciplinar. Ercília Macedo-Eckel (2010) observa que sua escrita mescla narrativa histórica e literária, mantendo o rigor da investigação. Essa abordagem se alinha à concepção de Paul Ricoeur (2007), que destaca a indissociabilidade entre memória e narrativa na experiência histórica.

Publicações e Reconhecimento

Entre suas obras, destaca-se “Arraial e Coronel — Dois Estudos de História Social” (1979), que recebeu o prêmio Clio de História Social, e “Poder e Paixão — A Saga dos Caiado”, que foi agraciado com menção honrosa do prêmio Pedro Calmon do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Segundo o doutor Nasr Fayad Chaul (2015), o estudo sobre os Caiado não apenas recupera a trajetória de uma família, mas também ilumina aspectos essenciais da vida política, cultural e social de Goiás.

Lena também se destacou como cronista, iniciando sua colaboração com “O Popular” em 2018 com a crônica “Recomeçando”. Nela, reflete sobre a escrita e a função da crônica como um gênero que combina verdade, imaginação e emoção, seguindo uma tradição de cronistas que preservam a experiência coletiva. Seu impacto foi reconhecido por críticos que ressaltaram sua habilidade de transitar entre História e Literatura, além da relevância de seu trabalho na construção da memória goiana.

Lena Castello Branco faleceu em 23 de outubro de 2023, deixando um legado que transcende a historiografia. Sua obra, ao unir rigor acadêmico e sensibilidade literária, reafirma a importância da escrita da história como um reflexo do tempo vivido.