A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu, na quinta-feira (9.jul.2026), não atender ao pedido da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), que solicitava a remoção de publicações da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) nas redes sociais. As postagens em questão continham críticas à administração municipal e foram analisadas pelo juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 12ª Vara Cível de Campo Grande.

O magistrado argumentou que não havia elementos suficientes que justificassem a retirada dos posts, destacando a importância da liberdade de expressão no contexto do debate político. Além de negar a urgência do pedido, o juiz convocou ambas as partes para uma audiência de conciliação, enquanto o processo continua em andamento e o mérito ainda será discutido.

Ação judicial motivada por críticas

A ação foi movida por Adriane Lopes após uma publicação de Erika Hilton em maio de 2026, na qual a deputada criticou a gestão da prefeita. Hilton afirmou que Campo Grande é considerada a "pior prefeitura do país" e mencionou investigações sobre o desvio de R$ 156 milhões da saúde pública. A deputada também alegou que o Instituto Municipal de Previdência teria aplicado de forma irregular R$ 1,3 milhão dos recursos de aposentados no Banco Master.

No pedido judicial, a prefeita exigiu não apenas a remoção das publicações, mas também uma retratação pública, indenização por danos morais e a proibição de novas postagens semelhantes.

Liberdade de expressão em foco

Em sua análise, o juiz Magalhães considerou que a remoção dos posts poderia representar um risco de censura. Ele enfatizou que o pedido da prefeita poderia limitar a manifestação de um agente político em temas de interesse público, destacando a necessidade de cautela do Poder Judiciário, especialmente em questões que envolvem liberdade de expressão de representantes políticos.

O juiz também observou que as publicações de Hilton se inserem em um contexto de fiscalização política e crítica à administração pública. Além disso, ele destacou que a prefeita não apresentou provas suficientes para demonstrar que as informações divulgadas eram falsas, o que será analisado ao longo do processo.

Após a decisão, Erika Hilton expressou satisfação com o resultado, ressaltando que a Justiça do MS não permitiu a censura que, segundo ela, a prefeita tentava impor. Hilton afirmou que as críticas foram baseadas em dados e informações acessíveis ao público.

Se não houver acordo na audiência de conciliação, o processo seguirá para as etapas de defesa, produção de provas e julgamento das indenizações solicitadas.

O Poder360 tentou contatar a prefeita Adriane Lopes, mas não obteve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válidos. O portal continuará buscando uma manifestação da prefeita e atualizará o texto caso haja resposta.