Por Giselle Vanessa Carvalho* Você entra na cabine de votação não é para escolher com quem gostaria de tomar cerveja, comer churrasco ou jogar conversa fora. Parece óbvio, mas, infelizmente, tem gente demais confundindo isso com representação política. Gostar ou não gostar de alguém é uma questão pessoal.
Na política, a conversa é outra. Simpatia não paga boleto, não garante aposentadoria, não coloca remédio na farmácia. O sujeito que você gosta não vai morar com você, felizmente. Vai decidir coisas bem menos divertidas, como trabalho, aposentadoria, casa própria, universidade, sistema de saúde, etc., intimidade demais para alguém que eu nem convidaria para entrar.
Todo o resto é conversa de botequim. E aí, meu bem, a conta chega, e talvez bem mais cara do que você imaginava. A paixão política pode virar uma tremenda ressaca quando você perceber que o que vai ser decidido é quantas horas você vai trabalhar, se vai conseguir comprar uma casa, ter férias com a família, 13º, FGTS, licença quando adoecer ou tiver um filho, quando vai se aposentar, se essa aposentadoria vai ter aumento anual ou não, e por aí vai. O que deveria entrar naquela cabine é a vida que você terá quando sair dela.
Não o político que você aprendeu a amar ou a odiar, muito menos a briga que comprou emprestada de gente que provavelmente nem sabe que você existe. E, antes que você torça o nariz para o que estou dizendo, convém lembrar que, “nessa canoa furada”, o grupo que entendeu como o poder funciona já sabe disso há muito tempo. Grandes empresários defendem os próprios interesses.
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