A Volkswagen, gigante automobilística da Alemanha, está considerando uma drástica reestruturação que pode resultar na demissão de até 10.000 funcionários e no fechamento de algumas de suas fábricas. As informações foram divulgadas por fontes que tiveram acesso a uma apresentação de gestão em uma reunião do conselho da empresa.

Com mais de 650.000 empregados em suas diversas marcas, que incluem Audi, Bentley, Skoda, Seat e Cupra, a montadora está enfrentando uma crescente concorrência da indústria automotiva chinesa e a transição necessária para veículos elétricos. A empresa se recusou a comentar sobre os rumores, mas um porta-voz afirmou que o processo é sensível e envolve diálogos com os funcionários e seus sindicatos.

Desafios enfrentados pela Volkswagen

O porta-voz destacou os desafios que as marcas tradicionais enfrentam, uma vez que competidores chineses têm conquistado rapidamente o mercado europeu com veículos elétricos e híbridos plug-in. "É verdade que toda a indústria automotiva e o Grupo Volkswagen estão passando por uma transformação profunda", afirmou. Ele também apontou que o modelo de negócios atual da empresa não é mais viável, uma vez que desenvolver carros na Alemanha, produzi-los na Europa e exportá-los para o mundo tornou-se insustentável.

Segundo o Manager Magazin, o CEO Oliver Blume discutirá essa reestruturação na próxima reunião do conselho de supervisão, prevista para o próximo mês. Ele já anunciou uma estratégia para reduzir custos em €11 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões).

Impacto no mercado e concorrência

A montadora também mencionou a pressão de tarifas, a competição acirrada e mercados que estão estagnando ou até encolhendo, o que gera encargos financeiros que podem chegar a dezenas de bilhões de euros por ano. Entre as fábricas que podem ser fechadas estão as localizadas em Neckarsulm, Hannover, Zwickau e Emden, com cortes mais profundos do que os anunciados anteriormente em 2024.

Recentemente, a Volkswagen recuperou a liderança nas vendas de automóveis na China, o maior mercado automotivo do mundo, mas enfrenta a ambição do grupo BYD, que busca se tornar a maior montadora do mundo nos próximos cinco anos.