No dia 14 de julho de 2021, Alexandra Wiemer viveu uma noite aterrorizante quando a enchente no Vale do Ahr, na Alemanha, transformou o rio normalmente calmo em um torrente avassaladora. A região registrou a quantidade de chuva esperada para um mês em apenas dois dias, fazendo com que o Ahr transbordasse e causasse uma das piores inundações da história recente do país, resultando em 135 mortes, a maioria em Bad Neuenahr-Ahrweiler, onde cerca de 80% da cidade foi inundada.
Após cinco anos da tragédia, a região está em um grande canteiro de obras, recebendo investimentos de vários bilhões de euros, em sua maioria oriundos do governo estadual e federal, para a reconstrução e preparação contra futuras enchentes.
Medidas de proteção em Bad Neuenahr-Ahrweiler
Um dos principais projetos em andamento é a construção de uma nova parede de contenção de 480 metros ao lado do rio, na área onde a água rompeu a antiga muralha medieval da cidade. Hermann-Josef Pelgrim, diretor da corporação local de reconstrução, destaca que a nova estrutura será robusta, com estacas de 1,20 metros de diâmetro cravadas a 15 metros de profundidade.
Além das paredes de contenção, várias outras medidas de segurança estão sendo implementadas, como a construção de uma nova estação de bombeiros erguida sobre estacas subterrâneas para evitar colapsos. Na área central, espaços verdes estão sendo conectados a trincheiras de drenagem subterrâneas para absorver e redirecionar chuvas intensas.
As 16 pontes destruídas na enchente de 2021 estão sendo reformuladas, com a preservação das ruínas de uma ponte medieval como memorial. A nova estrutura terá um único arco largo para permitir a passagem segura de água e detritos.
Recuperando o espaço natural do rio Ahr
Históricos mapas mostram o Ahr serpenteando livremente pelo vale, mas a urbanização ao longo das margens limitou esse espaço, intensificando os riscos de inundações. Em Altenburg, a poucos quilômetros de Bad Neuenahr-Ahrweiler, os níveis de água durante a enchente de 2021 atingiram mais de 7 metros, em comparação aos 70 centímetros habituais.
Bruno Büchele, engenheiro responsável pela restauração do leito do rio, explica que o desafio atual é devolver ao Ahr seu espaço natural. Para isso, a administração local adquiriu terrenos ribeirinhos para transformá-los em áreas de inundação, plantando arbustos e árvores. Contudo, as medidas de retenção devem ser implementadas para reduzir o volume de água que chega à região.
Um exemplo de sistema de retenção já em funcionamento é uma represa em um vale lateral, que retém até 40 milhões de litros de água durante inundações. Devido ao sucesso desse sistema, 17 novas represas estão em planejamento, com custos projetados superiores a 1,5 bilhão de euros e construção que pode levar décadas.
Alexandra Wiemer, que se mudou após a enchente, tomou precauções pessoais, como instalar barreiras em suas janelas e manter sacos de areia à mão. “Essas são precauções para podermos agir rapidamente se algo acontecer”, afirma. Apesar dos desafios, ela e outros sobreviventes permanecem na cidade, reafirmando seu apego à vida à beira do rio.
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