O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) para crianças a partir dos 2 anos de idade vítimas de violência sexual. A mudança consta em uma nota técnica publicada recentemente pela pasta e amplia a recomendação, que antes contemplava vítimas de violência sexual dos 9 aos 45 anos.
A medida considera o aumento das notificações de violência sexual entre crianças menores de 9 anos e a vulnerabilidade desse público à infecção pelo HPV. De acordo com o ministério, a violência sexual na infância está associada a um risco maior de aquisição de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo o HPV.
O infectologista Marcelo Daher explicou que a vacinação passa a integrar o conjunto de medidas de prevenção adotadas após uma situação de violência sexual. 'Frente ao número de casos de abuso sexual de crianças no Brasil e ao risco de infecção pelo HPV, você faz para essas crianças, ou para essas pessoas vítimas de abuso sexual, uma série de profilaxias. Elas tomam um antibiótico, tomam remédio para HIV, tomam uma série de medicamentos. E a vacina do HPV é uma coisa que está disponível e que a gente não utilizava', afirmou.
Segundo o especialista, a vacina contra o HPV é considerada segura para essa faixa etária quando utilizada dentro da indicação específica. 'A vacina é segura. A gente só faz a partir de 9 anos porque o risco de exposição ao HPV é maior, a partir do início da vida sexual. Mas, com os dados que nós já temos hoje, de proteção não só contra o HPV, mas contra câncer de traqueia, a partir de 2 anos, ela pode ser feita com tranquilidade', explica.
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