Um novo relatório da organização Tech Against Terrorism, apoiada pela diretoria de contrarrelacionamento da ONU, revela que grupos extremistas, como al-Qaeda, podem estar utilizando inteligência artificial (IA) para planejar ataques. O estudo, publicado em julho de 2026, destaca que 32% das consultas feitas a 27 modelos de IA resultaram em informações que poderiam ser utilizadas para fins terroristas.

O uso crescente de IA por extremistas

Nos últimos anos, o uso de IA por grupos como o Estado Islâmico e al-Qaeda tem se concentrado principalmente na geração de propaganda. No entanto, a situação está mudando. Em uma análise publicada pela Militant Wire, especialistas observaram um aumento notável em 2025 no uso de ferramentas de IA para planejar e preparar ataques, tanto em países como os EUA e Canadá, quanto em Israel, Finlândia e Áustria.

O relatório da Tech Against Terrorism foi baseado em mais de 2.300 solicitações de informações que se referiam a casos reais de uso de terrorismo. Quando as perguntas foram reformuladas para fins de pesquisa, a taxa de respostas úteis aumentou para 42%. Isso levanta preocupações sobre a capacidade dos grupos extremistas de utilizar IA para obter informações críticas sobre planejamento de ataques.

Implicações da IA para a segurança

Pesquisadores que analisaram o uso de drones pelo grupo afiliado da al-Qaeda, Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin, em Mali, indicam que a IA está sendo utilizada para modificar esses dispositivos. Além disso, há evidências de que canais de comunicação de grupos extremistas estão discutindo o uso de IA, com membros compartilhando prompts e estratégias para extrair respostas desejadas de chatbots.

Especialistas alertam que, embora as informações sobre fabricação de bombas possam ser encontradas facilmente na internet, a IA oferece uma nova dimensão ao tornar esse processo mais acessível e conversacional. Adam Hadley, diretor da Tech Against Terrorism, ressalta que a IA não apenas fornece informações, mas também pode atuar como um “treinador” para aqueles que buscam realizar atos terroristas.

Embora o uso de IA não garanta o sucesso de um ataque, especialistas como Rueben Dass afirmam que a interação entre humanos e IA pode acelerar o processo de radicalização, especialmente entre jovens. A preocupação é que, com a crescente adoção de chatbots, a radicalização de adolescentes e crianças se torne uma questão ainda mais significativa.

O relatório enfatiza a necessidade de monitoramento e resposta a essa nova forma de uso da tecnologia por extremistas, destacando que as implicações da IA na segurança pública ainda estão sendo exploradas e compreendidas.