Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology indica que o glifosato, um dos herbicidas mais utilizados no mundo, pode estar contribuindo para a resistência de bactérias a antibióticos, oferecendo uma vantagem inesperada a esses microrganismos na luta pela sobrevivência.
A pesquisa, liderada pela Dra. Daniela Centrón, do Instituto de Microbiologia Médica e Parasitologia de Buenos Aires, analisou 68 cepas bacterianas coletadas entre 2018 e 2020 em uma reserva natural na região do delta do Paraná, na Argentina. Embora o glifosato não tenha sido aplicado nessa área protegida, seu uso é comum em áreas agrícolas adjacentes.
Resistência bacteriana em ambientes hospitalares
Os resultados mostraram que as cepas bacterianas coletadas não apenas apresentavam resistência a múltiplos antibióticos, mas também a altas concentrações de glifosato. A análise incluiu 19 cepas provenientes de hospitais, que demonstraram resistência generalizada a antibióticos, especialmente aos carbapenêmicos, frequentemente utilizados como última linha de defesa contra infecções graves.
A Dra. Camila Knecht, coautora do estudo, destacou que, caso essas bactérias entrem em contato com o meio ambiente, por meio de efluentes hospitalares não tratados, podem se proliferar nas áreas agrícolas onde o glifosato é aplicado.
Implicações para a saúde pública
O glifosato já é objeto de debate científico e regulatório, sendo considerado um provável cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer. Vários países europeus, como França e Bélgica, já impuseram restrições ao seu uso. Os pesquisadores sugerem que a regulamentação de pesticidas deve considerar a resistência a antibióticos antes da liberação dos produtos no mercado.
A questão da resistência a antibióticos é alarmante, contribuindo para 1,1 a 1,4 milhão de mortes anualmente em todo o mundo. Assim, a pesquisa levanta a necessidade de uma reavaliação do uso de herbicidas como o glifosato em contextos agrícolas, visando proteger a saúde pública.
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