Começa nesta quinta-feira, 3, o embargo da União Europeia às exportações brasileiras de produtos de origem animal. A medida impede, neste momento, a entrada no mercado europeu de carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos produzidos no Brasil.

Controle de antimicrobianos motivou embargo

A decisão foi anunciada pela União Europeia em maio, depois que o Brasil foi retirado da lista de países considerados em conformidade com as regras europeias para o uso de antimicrobianos na pecuária.

Essas substâncias são utilizadas para tratar infecções nos animais, mas a legislação europeia proíbe seu uso como promotores de crescimento e também restringe a utilização em animais de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos.

O embargo não ocorreu por causa da identificação de irregularidades nos produtos brasileiros, mas pela avaliação europeia de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil são insuficientes para garantir o cumprimento das exigências.

Carne bovina terá retomada mais demorada

A carne bovina está entre os produtos mais afetados pelo bloqueio. Mesmo que a União Europeia reverta a decisão, a retomada das exportações brasileiras poderá levar pelo menos dois anos.

Isso ocorre porque os novos protocolos exigem comprovação do controle sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal. Um bovino que comece agora a seguir as novas regras pode levar entre 24 e 36 meses até estar pronto para o abate.

No caso do frango, o período é significativamente menor. O ciclo entre o nascimento e o abate é de aproximadamente 45 dias, o que permite uma adaptação mais rápida caso as exportações sejam autorizadas novamente.

Apesar de representar apenas 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, a União Europeia é considerada um mercado estratégico pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), principalmente por comprar cortes de maior valor agregado.

Desde o anúncio do embargo, o governo brasileiro negocia com representantes europeus para tentar restabelecer o comércio.