O dia 9 de julho de 2025 assinalou uma mudança significativa nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Há um ano, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou a implementação de uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras, justificando a medida como necessária para corrigir "graves injustiças" no comércio.
Trump, em seu discurso, fez referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à instabilidade política no Brasil, mencionando uma "caça às bruxas" e alegações de que o país estaria atacando direitos fundamentais e eleições nos EUA. O presidente norte-americano também criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que a corte havia emitido "centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS" a plataformas de mídia social americanas.
No decreto oficial que estabeleceu as tarifas, Trump alegou uma "emergência nacional" devido a ações do governo brasileiro que, segundo ele, prejudicavam empresas dos EUA e a liberdade de expressão dos cidadãos americanos. No entanto, a aplicação da tarifa poupou 44,6% das exportações brasileiras para os EUA, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Os produtos que enfrentaram a alíquota de 10% incluem petróleo, suco de laranja, aviões e celulose, considerados estratégicos e difíceis de substituir.
Histórico das tarifas
Trump sempre enfatizou a importância das tarifas em sua campanha presidencial, utilizando a questão como parte de uma estratégia para revitalizar a economia americana, que ele alegava estar em declínio devido à dependência excessiva de importações. Em 2024, o déficit comercial dos EUA foi de US$ 918,4 bilhões, e em 2025, melhorou marginalmente para US$ 901,5 bilhões.
Após retornar ao cargo, Trump iniciou uma série de estudos para investigar o que chamava de desequilíbrio comercial, focando inicialmente no Brasil devido a barreiras comerciais relacionadas ao etanol.
Impactos do tarifaço
Com o anúncio da tarifa de 50% em agosto, o comércio entre Brasil e EUA sofreu uma queda significativa, levando a um aumento das tensões políticas. A falta de canais de comunicação efetivos entre os dois países complicou ainda mais a situação.
A inclusão de críticas ao STF nos discursos de Trump intensificou o debate político, com repercussões tanto para a oposição quanto para a situação política no Brasil. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que tem buscado apoio da direita americana, comentou que o tarifaço foi um fator de tensão nas relações.
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