Donald Trump comprou entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em ações da Axon Enterprise, fabricante de Tasers e câmeras corporais, duas semanas antes de a Agência de Imigração e Controle de Fronteiras dos EUA (ICE) solicitar um contrato de US$ 220 milhões por cinco anos. A compra foi registrada em documentos federais apresentados por Trump em maio.
No dia 24 de fevereiro, a ICE publicou um aviso buscando cerca de 17.800 novos Tasers, além de cartuchos ilimitados e treinamento. A White House afirmou que os ativos de Trump estão em um fundo fiduciário administrado por seus filhos e que seus investimentos são geridos por empresas independentes, negando qualquer conflito de interesse.
A nota da ICE não menciona diretamente a Axon, que detém cerca de 90% do mercado de Tasers nos EUA, mas os especialistas indicam que as especificações solicitadas se alinham com os produtos da empresa. Se o contrato for finalizado, a ICE ampliará seu arsenal de Tasers, substituindo aproximadamente 4.300 dispositivos.
Embora não haja indícios de que Trump tenha influenciado o processo de aquisição, o momento da compra levantou questões éticas, especialmente considerando que a administração Trump estava promovendo uma política de deportações em massa. Deborah Fleischaker, ex-chefe de gabinete da ICE, comentou que o timing da compra “levanta bandeiras vermelhas”, enfatizando a importância de que as aquisições sejam feitas pelas razões corretas.
O valor das ações da Axon subiu mais de 22% no mês seguinte à compra de Trump. A empresa já possui um contrato de US$ 370 milhões com o Departamento de Segurança Interna (DHS) para fornecimento de câmeras corporais e software, e está em busca de expandir sua presença no setor federal.
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