O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), não será preso caso visite o país para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que será realizada em Nova York em setembro. A declaração foi feita em publicação na Truth Social depois de o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani (Partido Democrata), afirmar que sua gestão avalia se há base legal para deter o premiê israelense durante a passagem pela cidade. A discussão sobre uma possível detenção de Netanyahu decorre do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional em 21 de novembro de 2024.

A Corte investiga o premiê israelense por suspeita de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza. “Benjamin Netanyahu não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos Estados Unidos da América” , escreveu Trump. O presidente norte-americano disse que Netanyahu combate o regime do Irã e afirmou que as autoridades iranianas mataram recentemente 52.000 manifestantes.

Segundo Trump, o país persa também passou os últimos 47 anos matando soldados norte-americanos e cidadãos de outras nacionalidades. “Os únicos que deveriam ser presos são aqueles que levaram o Irã a esta espiral sem precedentes de morte e destruição” , declarou. Trump afirmou que presidentes anteriores dos Estados Unidos deveriam ter enfrentado a situação anos atrás.

Em entrevista publicada no sábado (18.jul) pelo jornal norte-americano The New York Times , M amdani disse que considera que Netanyahu “deveria estar em Haia” , sede do TPI. Declarou que iria consultar o Departamento Jurídico de Nova York para saber se tem autoridade para ordenar que o NYPD (Departamento de Polícia de Nova York) cumpra o mandado. O prefeito afirmou que respeitará a legislação vigente e disse que não pretende alterar as normas municipais para viabilizar a prisão.

Os Estados Unidos não integram o Estatuto de Roma, tratado que instituiu o TPI, e, por isso, não têm obrigação de executar as ordens da Corte. Netanyahu já havia declarado não estar preocupado com a possibilidade de ser preso. Seu gabinete criticou Mamdani e afirmou que o prefeito deveria se concentrar em “reparar os danos” causados por suas políticas à cidade de Nova York.

Em publicação no X feita no domingo (19.jul), o governo israelense classificou o mandado do TPI como “falso” e disse que Mamdani tenta desviar a atenção de sua gestão ao mirar o líder de Israel. O país rejeita as suspeitas investigadas pela Corte e contesta a jurisdição do tribunal sobre autoridades israelenses. Leia mais: Israel terá eleições gerais em 27 de outubro, confirma coalizão Tempestade atinge Nova York e provoca enchentes nos 5 distritos