O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou a Washington, DC, para uma visita à Casa Branca nesta terça-feira, com a guerra contra o Irã como principal tópico da agenda. Este é o primeiro encontro de Netanyahu com o presidente Donald Trump desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques a Teerã em 28 de fevereiro. A visita acontece em um contexto de intensificação de incursões israelenses na Cisjordânia ocupada e a apenas três meses das eleições em Israel.
Objetivos da visita de Netanyahu
A presença de Netanyahu nos EUA coincide com o funeral do senador republicano Lindsey Graham, um aliado próximo de Trump, que faleceu em 11 de julho. A cerimônia de despedida acontece na terça-feira, às 14h (19:00 GMT). Antes do evento, Netanyahu se reunirá com Trump às 11h (15:00 GMT) em Washington, onde já há protestos programados em razão de sua visita. O primeiro-ministro israelense deve retornar a Israel na quarta-feira.
Discussões sobre a guerra no Irã e a situação em Lebanon
De acordo com uma fonte da Casa Branca, entre os temas que devem ser abordados estão a guerra contra o Irã e as operações israelenses no Líbano, que foram intensificadas após ataques da milícia Hezbollah. A Israel alega estar atacando alvos ligados ao Hezbollah, que começou a disparar foguetes em direção ao norte de Israel após o início da guerra. No entanto, o Irã declarou que não aceitará um acordo de paz enquanto as forças israelenses permanecerem no Líbano.
O correspondente da Al Jazeera em Washington, Alan Fisher, observou que muitos israelenses acreditam que os EUA não devem negociar com o Irã e que, ao invés disso, devem intensificar a guerra. Fisher ressaltou que Trump expressou frustração com Netanyahu, indicando que os dois líderes podem não estar alinhados em suas estratégias.
Além disso, os dois líderes também discutirão os Acordos de Abraão, uma série de pactos que visam normalizar as relações diplomáticas entre Israel e alguns países árabes, mediadas por Trump durante seu mandato. Até o momento, apenas os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos, Sudão e Cazaquistão assinaram os acordos.
A visita de Netanyahu ocorre em meio a um aumento da violência na Cisjordânia, com ataques de colonos israelenses a comunidades palestinas, especialmente após um tiroteio que deixou dois israelenses e quatro palestinos mortos. Observadores políticos afirmam que o crescimento das colônias ilegais na Cisjordânia é uma estratégia de Netanyahu para garantir apoio da extrema direita nas próximas eleições.
Um grupo de aproximadamente 600 ex-oficiais israelenses enviou uma carta a Trump, alertando sobre as consequências da escalada da violência na região e pedindo sua intervenção para evitar uma calamidade que poderia afetar a segurança de Israel, dos EUA e da região.
As tensões entre Trump e Netanyahu também foram evidentes, com Trump supostamente chamando Netanyahu de 'louco' em uma conversa telefônica, acusando-o de prejudicar esforços diplomáticos. A questão da mudança de regime no Irã é um ponto de discórdia, com Netanyahu provavelmente tentando convencer Trump a adotar uma postura mais agressiva em relação ao país.
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