O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu na quinta-feira (9) os três últimos integrantes da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), um órgão federal independente que apoia a administração das eleições no país. A decisão ocorre a poucos meses das eleições de meio de mandato, conhecidas como "midterms", que acontecerão em novembro e renovarão toda a Câmara de Deputados e um terço do Senado.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem reiterado, sem apresentar provas, que houve fraude nas eleições de 2020, que resultaram na vitória de Joe Biden. As demissões dos comissários coincidem com a defesa do presidente por mudanças nas regras de votação e a determinação de investigações sobre o pleito anterior.

Motivações e reações

A Casa Branca confirmou as demissões, e um funcionário do governo informou que Trump tem a autoridade para remover pessoas que não estejam totalmente alinhadas com a missão de garantir a segurança das eleições. O governo atual tem se empenhado em colaborar com agências e autoridades locais para proteger o processo eleitoral contra fraudes e reforçar a infraestrutura antes das eleições de meio de mandato.

Os três comissários deixaram seus cargos de maneiras diferentes: a única integrante indicada pelo Partido Republicano renunciou, enquanto os dois indicados pelo Partido Democrata foram demitidos por e-mail pelo Escritório de Pessoal Presidencial. O quarto membro da comissão já havia deixado o cargo em abril deste ano. O e-mail de demissão, obtido pela Reuters, informava que o cargo estava encerrado com efeito imediato, agradecendo pelos serviços prestados.

O papel da EAC e incertezas sobre o futuro

A Comissão de Assistência Eleitoral foi criada pelo Congresso em 2002 e atua como um centro nacional de apoio à administração das eleições. Diferentemente do Brasil, onde o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) centraliza a organização eleitoral, nos Estados Unidos cada um dos 50 estados possui seus próprios modelos de votação. A EAC é responsável por credenciar laboratórios de testes, certificar sistemas de votação e manter o formulário nacional de registro de eleitores por correspondência.

A legislação que instituiu a EAC determina que seus quatro integrantes sejam indicados pelo presidente, com uma divisão igual entre democratas e republicanos, e confirmados pelo Senado. Os três comissários que foram demitidos — Thomas Hicks, Benjamin Hovland e Christy McCormick — haviam recebido aprovação unânime dos senadores. Embora a legislação permita que Trump nomeie novos membros, ainda não há clareza sobre quando ou como isso ocorrerá.

O senador democrata Mark Warner, da Virgínia, expressou preocupação nas redes sociais, afirmando que a decisão de remover todos os comissários restantes a poucos meses das eleições legislativas de 2026 é extraordinária e requer uma explicação imediata do governo. Ele destacou que isso levanta sérias preocupações sobre a interferência política nas instituições responsáveis pela integridade das eleições nos EUA.