O publicitário Thiago Miranda foi designado como alvo da Polícia Federal apenas dois dias após comunicar o término de sua sociedade no Grupo Léo Dias de Comunicação. A ação da PF, que cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra ele nesta quinta-feira (9.jul.2026), foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, como parte da 10ª fase da operação Compliance Zero.
As investigações estão focadas em uma suposta estrutura organizada para intimidar jornalistas e pagar influenciadores com o objetivo de atuar contra o Banco Central, defendendo os interesses do Banco Master. Miranda já havia sido mencionado nas investigações devido a conversas com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Mensagens trocadas entre Miranda e Vorcaro, que datam de março e abril de 2025, revelam que o ex-banqueiro solicitou ao publicitário informações pessoais sobre a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. Essas mensagens foram divulgadas cinco dias antes de Miranda anunciar sua saída do Grupo Léo Dias.
No comunicado divulgado na terça-feira (7.jul) em seu perfil oficial no Instagram, Miranda destacou o encerramento de "um importante ciclo" em sua carreira. Ele atuou como CEO do Grupo Léo Dias até junho de 2025, quando se afastou, mantendo apenas a participação societária. "Levo comigo os aprendizados, as amizades, as conquistas e a convicção de que empreender é, acima de tudo, transformar ideias em impacto", afirmou.
Conforme a jornalista Samara Schwingel do Metrópoles, Miranda iniciou o processo de transferência de sua participação societária no final de 2025.
10ª FASE DA OPERAÇÃO
As operações realizadas na tarde desta quinta-feira (9.jul) indicaram que Miranda era responsável por coordenar um núcleo destinado a monitorar pessoas que contrariavam os interesses de Vorcaro.
Em depoimento à PF, Miranda relatou que conheceu Vorcaro quando este ofereceu R$ 3,5 milhões para adquirir o Portal de Notícias Léo Dias. Vorcaro demonstrou interesse em criar um grupo de mídia e, posteriormente, Miranda ofereceu serviços de gerenciamento de imagem, incluindo a contratação de influenciadores para defender os interesses do ex-banqueiro.
A defesa de Miranda negou qualquer ato ilegal, afirmando que o publicitário sempre pautou sua atuação pela legalidade e transparência. Em nota, a defesa destacou que a existência de uma investigação em andamento não implica culpa prévia e enfatizou o compromisso de Miranda em colaborar com as autoridades.
ALVOS DE VORCARO
As mensagens entre Miranda e Vorcaro sugerem que o publicitário buscou informações sigilosas através de serviços de venda ilegal de dados pessoais. Os alvos de interesse incluíram:
- Malu Gaspar: Seus dados bancários foram violados, incluindo informações sobre seus filhos e dados patrimoniais;
- Milton Maluhy Filho: Vorcaro solicitou um levantamento sobre o executivo do Itaú, alegando que ele estava "causando muito problema";
- Consuelo Dieguez: A jornalista se recusou a retirar reportagens sobre o banco, o que deixou Vorcaro insatisfeito.
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