Desde a assinatura do acordo entre os Estados Unidos e o Irã, pelo fim do conflito, mais de 172 embarcações já cruzaram o Estreito de Ormuz, incluindo 42 navios apenas no último sábado, de acordo com a empresa de inteligência marítima Kpler. Esse número ainda está aquém da média de 138 travessias diárias registradas antes do início do conflito.
Dados de rastreamento de embarcações analisados pela BBC Verify indicam que mais de 200 petroleiros estavam à espera dentro do estreito na terça-feira, com pelo menos 10 navios navegando em direção ao Golfo até o momento. O preço do barril de petróleo Brent, referência global, caiu para o menor nível desde o início da guerra.
Nos últimos dias, muitos dos petroleiros que transitaram pelo estreito estavam associados ao Irã, após a suspensão do bloqueio naval dos EUA. Desde a assinatura do acordo, pelo menos 30 petroleiros partiram do Golfo carregados com petróleo e petroquímicos iranianos, informou Jemima Shelley, analista da campanha United Against Nuclear Iran.
O Tesouro dos EUA também facilitou sanções antigas ao emitir uma licença que permite a venda de petróleo bruto iraniano e produtos petroquímicos até 21 de agosto. Na segunda-feira, pelo menos cinco petroleiros anteriormente sancionados pelos EUA devido a vínculos com o Irã transitaram pelo estreito, transportando até quatro milhões de barris de petróleo.
Desafios no Tráfego Marítimo
Ainda assim, o tráfego normal também aumentou, conforme observado por Martin Kelly, da EOS Risk Group. Na segunda-feira, quatro petroleiros de gás natural liquefeito foram vistos a caminho do porto de Ras Laffan, no Catar, e pelo menos três petroleiros e três navios de carga partiram do Golfo na terça-feira.
Todas essas transações ocorreram pela rota norte aprovada pelo Irã, ao invés da rota sul recomendada pelos EUA, próxima à costa de Omã. Além disso, mais de 250 petroleiros e 440 navios de carga ainda estão no Golfo, de acordo com suas últimas posições reportadas.
Preocupações com a Segurança Marítima
Apesar do acordo que compromete o Irã a garantir a passagem segura de embarcações comerciais por 60 dias, as mensagens contraditórias de oficiais iranianos sobre o status do estreito geraram incertezas. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que o estreito estava fechado em resposta a ataques israelenses no Líbano, embora a passagem continuasse. Na terça-feira, o embaixador iraniano na ONU declarou que o estreito estava aberto.
Além disso, preocupações sobre minas marinhas nas rotas de navegação reconhecidas internacionalmente têm contribuído para a redução do tráfego marítimo em relação aos níveis anteriores à guerra. O Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), que inclui os EUA, alertou os navios a evitarem essa parte central do estreito devido à presença de minas.