Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026 REUTERS/Ken Cedeno Grandes empresas americanas enviaram cartas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) solicitando que produtos importados do Brasil fiquem de fora da imposição de tarifas adicionais sob a investigação da Seção 301. As manifestações de gigantes como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay, enviadas no dia 1 de julho, alertam para os impactos negativos na competitividade, nas cadeias de suprimentos e no bolso dos consumidores dos EUA se as barreiras forem adotadas. 🔎 Nesta segunda-feira (6), iniciaram as audiências públicas sobre o tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros.
🔎O USTR é o órgão responsável por formular a política comercial dos EUA. Também conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas, como a imposição de tarifas. Além da tarifa de 12,5%, o órgão propõe outra taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos.
A mobilização empresarial ocorre paralelamente a um momento de forte tensão diplomática. Documentos enviados pelo ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira mostram que o Itamaraty vê "risco" de o governo de Donald Trump usar "força militar" contra o território brasileiro após os EUA terem classificado unilateralmente as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Na semana passada, o Departamento do Tesouro americano já congelou bens de dois brasileiros e de quatro empresas por supostas ligações com o PCC.
Apesar do cenário político conflagrado, as corporações americanas argumentam que punir comercialmente os insumos do Brasil trará prejuízos internos imediatos para a economia dos EUA. Agora no g1 Veja abaixo o que pede cada empresa: Tesla A montadora de veículos elétricos e sistemas de energia pediu que o USTR isente os insumos industriais vindos do Brasil. A empresa do bilionário Elon Musk afirma que está investindo bilhões de dólares para nacionalizar e diversificar sua cadeia de suprimentos nas Américas.
Contudo, a transição leva tempo e certos insumos fundamentais para setores avançados (como veículos elétricos, robótica e baterias) ainda não podem ser produzidos nos EUA com a escala e qualidade necessárias. A Tesla defende que aplicar taxas de forma mais rápida do que a capacidade de o mercado interno se adaptar vai prejudicar os trabalhadores e consumidores americanos. LEIA TAMBÉM: Brasil chama investigação dos EUA de 'arbitrária' e diz que tarifa de 12,5% viola regras da OMC Nestlé A multinacional do setor de alimentos solicitou a expansão da lista dos isentos e inclusão de dois produtos específicos importados do Brasil: o café instantâneo não aromatizado (café solúvel) e o colágeno bovino.
A Nestlé pontua que o café em grão não pode ser cultivado em escala comercial nos EUA continental, e que o Brasil é o principal exportador global de colágeno bovino, cuja cadeia americana não supre a demanda de produtos de saúde e bem-estar.
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