Um poderoso terremoto, seguido por uma réplica, atingiu a Venezuela nesta quarta-feira, resultando em um número crescente de vítimas fatais e agravando a crise em um país que já enfrenta sérias incertezas políticas e sociais.
Menos de seis meses após a prisão de Nicolás Maduro, que governou o país desde 2013, em uma operação militar dos EUA, a liderança da Venezuela está nas mãos de Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente e aliada de Maduro. Sua ascensão ao poder não foi bem recebida por setores da oposição, que esperavam que a administração Trump promovesse a nomeação da líder oposicionista María Corina Machado.
Resposta ao desastre
Rodríguez se dirigiu à nação através da TV estatal VTV mais de duas horas após os tremores, em um momento em que a comunicação com as áreas mais afetadas estava comprometida. A escassez de informações também é resultado das restrições à mídia independente durante o governo Maduro, que levaram ao fechamento de inúmeras rádios e sites de notícias locais.
Na transmissão, Rodríguez, visivelmente abalada, pediu união ao povo venezuelano e declarou estado de emergência, designando o General Juan Ernesto Sulbarán, comandante da Guarda Nacional da Venezuela, para liderar a resposta ao desastre.
Desafios estruturais e ajuda internacional
Os últimos 25 anos de governo de Chávez e Maduro resultaram em uma gestão marcada pela presença de militares em cargos chave, o que, segundo analistas, contribuiu para a deterioração da infraestrutura do país. Recentemente, Rodríguez fez algumas mudanças, colocando civis em posições estratégicas, como o novo ministro da habitação, um arquiteto, e o novo responsável pela eletricidade, um engenheiro eletricista.
A falta de materiais, como cimento, e a má gestão exacerbada por sanções dos EUA dificultaram a manutenção de moradias, tornando-as vulneráveis a desastres. Em meio a essa crise, Rodríguez agradeceu a governos estrangeiros que ofereceram ajuda, incluindo a administração do presidente Donald Trump, em um claro contraste com a postura de Maduro, que rejeitava auxílio de aliados ideológicos.
Esperança em meio ao caos
A receptividade ao apoio internacional pode representar um pequeno raio de esperança para os venezuelanos que lidam com a devastação e a perda, especialmente aqueles com familiares desaparecidos sob os escombros. "A solidariedade entre nosso povo é uma fonte inestimável de força em momentos como este", concluiu Rodríguez.
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