O Brasil pode enfrentar uma situação de desvantagem comercial significativa em relação aos seus competidores internacionais após a imposição de novas tarifas pelo governo norte-americano. A avaliação é de Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior, em entrevista ao WW . Segundo ele, o cenário atual representa uma tentativa de recomposição das tarifas que haviam sido canceladas pela Suprema Corte americana em fevereiro.
Ferraz explicou que, após a Suprema Corte dos Estados Unidos retirar de Donald Trump a possibilidade de utilizar determinada ferramenta para impor tarifas livremente, já se antecipava que as investigações do representante do comércio e da Seção 301 seriam utilizadas como forma de contornar a decisão judicial. Leia Mais Novo tarifaço dos EUA pode ampliar exportações do Brasil para China Governo volta dos EUA sem sinal claro sobre retorno do tarifaço Em resposta oficial, Brasil diz que EUA não têm base para impor tarifa “William, eu acredito que sim”, afirmou Ferraz ao ser questionado sobre o assunto. Segundo ele, na sequência da decisão, Trump passou a utilizar outro dispositivo — a Seção 1-2-2 — adicionando tarifas de 10%, que vencem no final de julho.
Prazo de 15 de julho e acúmulo de taxações O especialista destacou que o prazo final de 15 de julho coincide com a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma outra investigação relacionada a importações com produtos elaborados por trabalho forçado, que pode acrescentar mais 12,5% de taxação. O acúmulo dessas medidas, caso se concretize conforme o esperado, resultaria em tarifas totais de 37,5% incidindo sobre uma parcela relevante das exportações brasileiras. Brasil em posição desfavorável frente a concorrentes Para Ferraz, o ponto mais preocupante não é apenas o nível absoluto das tarifas, mas a posição relativa do Brasil em comparação a outros países.
“O Brasil, de novo, fica mal na fita relativamente aos seus competidores internacionais”, declarou. Segundo ele, se tudo ocorrer conforme o esperado, até 30% das exportações brasileiras serão afetadas por tarifas de 37,5%, enquanto a União Europeia e países asiáticos deverão enfrentar tarifas menores. “O Brasil realmente ficará numa situação muito complicada”, concluiu o especialista.
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