A investigação que culminou na Operação Vérnix, que resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra em maio deste ano, revelou que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, recebeu repasses da Transunião Transportes S.A., uma empresa de ônibus supostamente envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro.

De acordo com o inquérito, Leonardo, filho de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, foi beneficiário direto de operações financeiras destinadas a ocultar recursos provenientes do crime organizado. As investigações apontam que cerca de R$ 746 milhões foram movimentados em contas ligadas ao esquema, sendo R$ 301.831 (aproximadamente 40%) oriundos de depósitos em dinheiro vivo, uma prática típica de lavagem de dinheiro.

Os investigadores descobriram um repasse de R$ 50 mil da Transunião para Leonardo, indicando que a empresa atuava como um elo na movimentação de recursos ilícitos. Além disso, mensagens trocadas por Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, mencionam Leonardo como destinatário de valores, referindo-se a ele pelo codinome “L”.

Operação Última Parada

Na manhã do dia 25 de outubro, a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Última Parada, visando desmantelar o esquema de lavagem de dinheiro do PCC no setor de transporte público. Foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.

Entre os detidos estão o vereador Senival Moura, do PT, e Jair Ramos de Freitas, diretor informal da Transunião. Eles são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A Justiça determinou o afastamento imediato dos diretores da empresa e a Prefeitura de São Paulo anunciou uma intervenção para garantir a continuidade dos serviços sem prejuízos à população.