Informações parciais sobre candidatos podem levar a escolhas equivocadas

O voto é secreto. O poder, não. Essa distinção parece elementar, mas está sendo perigosamente invertida no Brasil. Às vésperas de uma eleição presidencial, o cidadão é chamado a fazer sua escolha no escuro, enquanto informações potencialmente decisivas sobre candidatos, autoridades e suas relações com o Banco Master circulam em fragmentos: uma mensagem hoje, um áudio amanhã, um contrato na semana seguinte. Cada revelação chega acompanhada de interpretações, suspeitas e versões interessadas. O pedaço aparece; o conjunto permanece escondido.

Sigilo nas delações prejudica eleitores

Uma delação não é uma sentença. É o relato de alguém que busca benefícios legais e, por isso, precisa ser confrontado com documentos, registros bancários e outras provas independentes. Tornar pública apenas a acusação, mantendo sob sigilo os elementos capazes de comprová-la ou desmenti-la, não esclarece o eleitor. Apenas transfere para a arena eleitoral uma suspeita que ele não tem condições de avaliar plenamente.