Cientistas conseguiram identificar pela primeira vez evidências de deslizamentos de terra em Plutão. Um artigo publicado na revista Icarus relata que imagens capturadas pela sonda New Horizons durante um sobrevoo revelaram seis grandes deslizamentos em três crateras de impacto.
Esses movimentos de massa, que envolvem gelo, rocha e detritos, são comuns na Terra e já foram detectados em outros corpos do sistema solar, como Marte e Ceres, um planeta anão localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Contudo, até agora, não havia evidências de deslizamentos em Plutão, apesar de suas paredes de crateras íngremes e terreno acidentado que poderiam facilitar esse fenômeno.
Estudo das imagens da New Horizons
As imagens analisadas foram capturadas em julho de 2015 e foram examinadas por uma equipe internacional de cientistas planetários. Eles reavaliaram fotos de alta resolução obtidas pelo Long-Range Reconnaissance Imager (LORRI) da sonda, que registrou a superfície de Plutão com uma resolução de aproximadamente 300 metros por pixel. Além disso, os pesquisadores combinaram essas imagens com mapas de elevação coletados durante o sobrevoo.
Os cientistas observaram sinais inconfundíveis de deslizamentos, semelhantes aos que ocorrem na Terra. Esses sinais incluem cicatrizes em forma de crescente no topo das paredes das crateras, enormes blocos de gelo deslocados e longos depósitos de detritos nos fundos das crateras. "Essas observações possibilitaram, pela primeira vez, o reconhecimento de deslizamentos em um dos corpos gelados mais proeminentes do Cinturão de Kuiper", afirmaram os autores do estudo em seu artigo.
Dimensões e implicações dos deslizamentos
A equipe de pesquisa também mediu as dimensões de cada deslizamento, constatando que eles desciam entre 1,5 e 2,2 quilômetros antes de percorrerem até 14,5 quilômetros pelo terreno. O maior desses deslizamentos cobria uma área de aproximadamente 130 quilômetros quadrados, o que é suficiente para enterrar uma pequena cidade.
Essas descobertas sugerem que Plutão não é um mundo gelado estático, mas sim um planeta anão geologicamente ativo. Os deslizamentos podem ter desempenhado um papel importante na formação e modelagem do terreno, conforme notam os cientistas. "A identificação de deslizamentos na superfície de Plutão indica que instabilidades gravitacionais de encosta são processos amplamente disseminados e antes não revelados que podem ter contribuído para moldar a superfície do planeta anão," afirmam os pesquisadores.
Os cientistas também sugerem que esses não são os únicos deslizamentos em Plutão. A equipe observou características adicionais nas crateras que podem indicar mais deslizamentos, embora as imagens disponíveis não sejam detalhadas o suficiente para confirmá-los. No entanto, futuras missões com imagens de maior resolução e melhores dados topográficos podem um dia revelar ainda mais deslizamentos na superfície de Plutão.
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