O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou nesta quarta-feira (29) que emitiu um mandado internacional de prisão contra Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, sob a acusação de facilitar atividades terroristas.

Segundo o FSB, as acusações contra Durov estão ligadas à suposta ineficácia do Telegram em remover conteúdos que, segundo as autoridades russas, são utilizados por serviços especiais ucranianos e organizações extremistas para planejar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, além de operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa.

A resposta do Telegram e a situação de Durov

Pouco após a divulgação do mandado, a conta oficial do Telegram na rede social X publicou uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno. Até o momento, nem Durov nem a plataforma se manifestaram oficialmente sobre as acusações feitas pelo governo russo.

Em agosto de 2024, Durov foi detido na França, mas foi liberado poucos dias depois. Atualmente, seu paradeiro é desconhecido. O Telegram, um aplicativo de mensagens criptografadas fundado em 2013, conta com mais de 1 bilhão de usuários e é amplamente utilizado por ambos os lados no conflito entre Rússia e Ucrânia.

Contexto das investigações e restrições

Nos últimos anos, o governo de Vladimir Putin tem intensificado os esforços para restringir o uso do Telegram na Rússia, promovendo um serviço de mensagens estatal chamado Max. No entanto, instituições estatais, como o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam utilizando a plataforma para comunicados diários.

Durov, que nasceu na Rússia, possui atualmente passaportes dos Emirados Árabes Unidos e da França. Antes de fundar o Telegram, ele criou a rede social VKontakte, similar ao Facebook, mas vendeu sua participação em 2014, sob pressão das autoridades russas.

Além das acusações da Rússia, Durov também é alvo de investigações por parte das autoridades francesas, que o acusam de não combater adequadamente atividades criminosas na plataforma e de não colaborar suficientemente com as solicitações de segurança. O fundador do Telegram nega qualquer irregularidade.

As acusações russas contra Durov surgem após um jornal estatal ter informado, em fevereiro, que ele estava sob investigação em um caso relacionado ao terrorismo. Em abril, Durov compartilhou uma mensagem no Telegram indicando que uma intimação para o “Suspeito P.V. Durov” havia sido entregue em um apartamento na Rússia onde ele residiu por 20 anos. Na ocasião, ele afirmou que as autoridades poderiam estar suspeitando de sua defesa à liberdade de expressão e ao direito à correspondência privada, expressando orgulho por isso.

Uma publicação de 16 de maio em seu canal no Telegram indicava que ele estava em Dubai. Em 23 de julho, Durov mencionou estar “muito impressionado com a Geórgia” e expressou a expectativa de retornar em breve.