A Rússia acusou Pavel Durov, fundador do Telegram, de facilitar atividades terroristas, alegando que o aplicativo de mensagens foi utilizado por serviços secretos ucranianos para recrutamento. A informação foi divulgada pelo FSB, o serviço de segurança interno da Rússia, que afirmou que o Telegram tem sido empregado para "preparar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo" no país.

O FSB também afirmou que o Telegram não conseguiu remover canais, chats e bots que seriam utilizados por agentes da Ucrânia. Como resultado, um mandado de prisão internacional foi emitido contra Durov, que atualmente reside fora da Rússia.

Contexto das Acusações

Após o anúncio das acusações, a conta oficial do Telegram no X publicou uma imagem de Durov mostrando o dedo do meio, em um gesto que reflete sua postura desafiadora em relação às autoridades russas. O fundador do Telegram já havia criticado o governo russo por "fabricar novos pretextos para restringir o acesso dos russos ao Telegram".

O aplicativo é amplamente utilizado na Rússia, com dezenas de milhões de usuários, embora as autoridades tenham aumentado as restrições ao seu uso como parte de uma repressão mais ampla à liberdade na internet. Além disso, o Telegram também é popular na Ucrânia.

Histórico de Durov e Implicações Legais

Durov, de 41 anos, vive fora da Rússia há vários anos e possui passaportes da França e dos Emirados Árabes Unidos. Ele deixou o país em 2014, após se recusar a atender às exigências do governo para fechar comunidades de oposição na plataforma. Antes de fundar o Telegram, Durov havia criado a popular rede social russa VKontakte, conhecida como o "Facebook da Rússia".

Atualmente, o Telegram conta com cerca de 950 milhões de usuários em todo o mundo e se posiciona como um aplicativo que prioriza a privacidade dos usuários, em contraste com as políticas de outras grandes redes sociais. Apesar de ter enfrentado críticas em relação à moderação de conteúdo, a plataforma nega que suas práticas sejam insuficientes.

Em 2024, Durov foi detido e colocado sob investigação formal na França devido a alegações de não moderar adequadamente o aplicativo para reduzir a criminalidade. Ele foi liberado meses depois, mas a investigação ainda está em andamento.

Não está claro se outros países ou autoridades atenderão ao mandado de prisão emitido pela Rússia, levando em conta o contexto internacional e as relações diplomáticas.