A cada noite, às 19h, os manifestantes se reúnem na mesma praça em Tirana, capital da Albânia, portando símbolos e fazendo as mesmas exigências. Após mais de três semanas de protestos contínuos, a "Revolução Flamingo" se tornou o maior movimento cívico do país desde a queda do comunismo.

O movimento teve início devido a um projeto de turismo de luxo aprovado pelo governo em Zvernec, uma área costeira protegida no sul da Albânia. Inicialmente motivados por preocupações ambientais, os protestos se expandiram para exigir a renúncia do Primeiro-Ministro Edi Rama.

A resposta do governo

Rama rejeita a ideia de que a insatisfação popular se deve apenas a questões internas. Ele argumenta que os protestos são parte de uma "guerra híbrida" influenciada por atores externos e manipulação digital. O projeto turístico em Zvernec, relacionado ao genro do ex-presidente dos EUA Donald Trump, Jared Kushner, aumentou a visibilidade internacional do caso.

"O mundo não acordou devido ao destino de Narta, mas sim pelo nome de Jared Kushner", disse Rama em uma reunião do grupo parlamentar do Partido Socialista.

Críticas à retórica do governo

Jonila Godole, especialista em comunicação política, acredita que a estratégia de Rama busca desviar a atenção das demandas dos manifestantes para as forças externas que ele alega estarem por trás dos protestos. Ela observa que essa retórica remete ao passado comunista da Albânia, onde a dissidência era frequentemente associada a inimigos estrangeiros.

A raiz da insatisfação

Para muitos analistas, o ponto de virada ocorreu em 30 de maio, quando um manifestante foi arrastado por seguranças em uma praia, gerando indignação e transformando a mobilização em um debate nacional sobre poder e responsabilidade. O cientista político Blendi Kajsiu argumenta que os protestos refletem uma profunda crise do modelo democrático da Albânia, onde os cidadãos se sentem alijados do sistema político.

Impacto internacional

A discussão também chegou à União Europeia, que expressou preocupação com os desenvolvimentos na área protegida de Vjosa-Narta e pediu um moratório em novas construções. Godole alerta que a linguagem de ameaças híbridas pode desviar a atenção das demandas democráticas dos manifestantes.