O comércio global de drogas ilícitas está passando por um crescimento acentuado, conforme aponta o Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, divulgado na última sexta-feira (26). O estudo revela que a produção de cocaína alcançou um recorde histórico, com 4,1 mil toneladas fabricadas, um aumento de quatro vezes em uma década.
Além disso, o mercado de metanfetamina tem apresentado um crescimento estimado de 13% ao ano, com base nas apreensões realizadas pelas forças de segurança. "Testemunhamos um pico sem precedentes de novos tipos de drogas no mercado e, preocupantemente, algumas são mais potentes ou perigosas do que antes", afirmou Monica Juma, diretora-executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em comunicado.
Mudanças no narcotráfico global
A dinâmica do narcotráfico internacional mudou significativamente desde 2023, quando o Talibã impôs uma proibição ao cultivo de ópio no Afeganistão, tradicionalmente o maior produtor mundial de heroína. A oferta global de heroína despencou, abrindo espaço para uma onda de opioides sintéticos, como o fentanil e os nitazenos.
Esse cenário resultou em uma nova configuração do consumo de drogas em diferentes regiões. Na Europa, a identificação de Novas Substâncias Psicoativas (NSP) aumentou em mais de 80%. Na Oceania, o crescimento foi ainda mais expressivo, com um aumento de 150%. Na América do Norte, onde o fentanil já substituiu a heroína, houve um acréscimo de 10% nas variantes sintéticas.
Alterações no perfil de consumo
O relatório também destaca que a cocaína se tornou mais acessível e que seu perfil de consumo mudou. A droga, antes associada à vida noturna, agora faz parte da rotina diária de muitos usuários, abrangendo diversos ambientes sociais. Além disso, há um aumento no consumo de crack entre populações vulneráveis, com dependentes migrando da heroína para essa substância, conforme dados de centros de reabilitação na Europa Ocidental e Central desde 2015.
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