No campo de refugiados de Iridimi, no leste do Chade, Thuraya Mukhtar, de 45 anos, tenta reconstruir sua vida em meio ao caos. Recentemente, ela fugiu da violência na região de Orchi, no Sudão, onde explosões e tiroteios tornaram sua casa em um campo de destruição.
"Deixei tudo para trás sem saber que nunca mais voltaria. Corri com meus filhos, com o fogo atrás de nós e balas sobre nossas cabeças", compartilhou Thuraya em entrevista ao Al Jazeera. Ela enfrenta a dura realidade de não ter comida há dois dias, enquanto seus filhos choram de fome.
A devastação em Orchi
A crise humanitária começou em 15 de junho, quando as Forças de Apoio Rápido (RSF) iniciaram uma ofensiva na região, incendiando aldeias e devastando o comércio local. As famílias agora vivem ao ar livre, sem abrigo ou alimentos, se espremendo sob árvores que oferecem pouca proteção.
“Caminhamos por longas distâncias até chegarmos à cidade de Tine, onde comemos folhas de árvores e bebemos água contaminada”, disse Hawa Adam, mãe de 35 anos. Muitas famílias relatam que não têm o que comer, pois tudo foi saqueado ou destruído.
Condições desesperadoras
As condições nas áreas de refúgio são alarmantes. O oficial de mídia do Hospital de Emergência de Tine, Mohammed Safi, informou que mais de 7.000 famílias deslocadas chegaram nos últimos dias, todas necessitando urgentemente de alimentos, água e abrigo.
Enquanto isso, oficiais sudaneses afirmam que a violência é parte de uma estratégia deliberada das RSF para provocar uma mudança demográfica na região. Salah Rassas Adam Tour, membro do Conselho Soberano do Sudão, pediu intervenção internacional para deter a "deslocação forçada".
Fome ignorada
Um relatório da FAO e do PMA alerta que o Sudão enfrenta uma das piores crises de fome do mundo, com 19,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar. Para mães como Thuraya, as promessas de ajuda internacional parecem distantes, enquanto lutam para sobreviver sob a sombra escassa das árvores.
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