Uma manhã de desilusão
Na manhã seguinte à votação do Brexit, a redação do Guardian estava em silêncio absoluto, refletindo a incredulidade de muitos diante do resultado. A maioria dos colunistas do jornal apoiou a permanência na União Europeia, e a derrota foi um choque difícil de digerir. No entanto, havia uma exceção: Larry Elliott, que sempre defendeu a saída e, dez anos depois, reafirma sua posição.
Desempenho econômico da Europa
Elliott argumenta que a Europa não tem funcionado adequadamente há anos. Enquanto na época da entrada do Reino Unido na Comunidade Econômica Europeia, as economias europeias cresciam rapidamente, esse cenário mudou. Desde a crise financeira de 2008, a economia dos Estados Unidos cresceu 87%, em contraste com os 13,5% da União Europeia, tornando difícil justificar a permanência na UE.
Oportunidades pós-Brexit
O colunista destaca que o Brexit expôs as fragilidades do modelo econômico britânico, que é fortemente dominado pelos serviços financeiros. A saída da UE possibilitou ao governo britânico implementar políticas como a imposição de tarifas para proteger a indústria siderúrgica e a redução de impostos sobre alimentos importados, medidas que teriam sido complicadas sob as regras do mercado único europeu.
Um grito de protesto
Além disso, a votação a favor do Brexit foi um grito de protesto das regiões do Reino Unido que se sentiram negligenciadas ao longo dos anos. Para Elliott, isso representa uma oportunidade de reavaliar e buscar um novo acordo econômico que corrija os danos causados pela desindustrialização e globalização.