Quatro irmãos, com idades de 12, 14 e 17 anos, foram resgatados pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) em Aparecida de Goiânia na última segunda-feira (6). Eles se encontravam em condições precárias, vivendo em um quarto sem janelas, onde dormiam, se alimentavam e faziam suas necessidades ao lado de um bebê.
O resgate ocorreu após uma denúncia anônima que levou os agentes até o bairro Chácara São Pedro. Ao chegar ao local, o inspetor da GCM, Milton Sobral, precisou arrombar a porta da residência. Ele relatou que encontrou um dos adolescentes, de 14 anos, em estado aparente de desnutrição.
Condições de vida e prisão dos pais
O ambiente em que os irmãos estavam era descrito como totalmente insalubre, sem banheiro ou qualquer infraestrutura básica. "O quarto em que eles se encontravam não tinha janela, era um local totalmente insalubre mesmo. Eles faziam as refeições e as necessidades ali naquele local", explicou Milton.
Os pais dos adolescentes foram detidos em flagrante sob acusação de maus-tratos, sequestro e cárcere privado, além de apropriação indevida de benefícios de uma pessoa com deficiência. Contudo, a Justiça decidiu liberar o casal após a prisão. Durante os depoimentos, os pais optaram por permanecer em silêncio.
Encaminhamento para abrigo e suspeitas de exploração
Após o resgate, a GCM informou que os adolescentes serão encaminhados para um abrigo, onde receberão suporte psicológico e médico. "A Assistência Social agora vai encaminhá-los para um abrigo, um local seguro, para acompanhá-los com psicólogo, atendimento médico e dar a eles a dignidade que eles merecem", afirmou o inspetor.
Além das condições de vida, a equipe da GCM levantou suspeitas de que os pais estavam se apropriando do benefício de prestação continuada (BPC) do filho de 14 anos, que possui transtorno do espectro autista. Segundo Milton, os pais teriam utilizado o dinheiro do benefício para consumo pessoal, como bebidas e jogos, e até realizado empréstimos em nome do adolescente.
"Eles subtraíam dinheiro desse menor. Fizeram alguns empréstimos no nome dessa criança. Disseram que precisavam do dinheiro para comprar uma moto", revelou o inspetor. Os pais alegaram viver de bicos, sem emprego fixo, e dependiam do benefício do filho para sua sobrevivência.
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