No último dia 1º de agosto, a polícia queniana prendeu 355 pessoas em diversas partes do país durante protestos que marcam o segundo aniversário de manifestações violentas em 2024, quando 60 pessoas foram mortas pelas forças de segurança. As manifestações deste ano foram organizadas em memória dos demonstradores que perderam a vida em protestos contra o aumento de impostos.
O ministro do Interior, Kipchumba Murkomen, classificou os detidos como "criminosos" e se desculpou pelo uso de barricadas e outras medidas de segurança para conter os protestos. "Lamentamos os inconvenientes causados por essas medidas, ao mesmo tempo em que apreciamos sua eficácia em garantir a segurança na cidade e em outras partes do país", declarou Murkomen a repórteres.
De acordo com um correspondente da agência de notícias Reuters, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar grupos que se reuniam pacificamente em frente à estação de polícia de Nairobi, após a detenção de seis pessoas que haviam deixado flores em frente ao parlamento.
A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia informou que os organizadores planejaram homenagear as vítimas do trágico evento de 2024, que ocorreu quando manifestantes invadiram os terrenos do parlamento. Nas ruas, o comércio fechou, e a polícia montou bloqueios e posicionou caminhões com canhões de água na área central da cidade.
Resposta governamental e clamor por justiça
Malcom Webb, correspondente da Al Jazeera, destacou que a resposta policial intensa reflete o desejo do governo de evitar a repetição dos eventos trágicos de dois anos atrás. "Isso ocorre após uma série de protestos recentes, alguns liderados por opositores do presidente William Ruto e outros por sindicatos de transporte, devido ao aumento dos preços dos combustíveis", explicou.
Líderes da oposição se uniram às famílias de vítimas de brutalidade policial antes de se dirigirem ao parlamento. Edith Wanjiku, mãe de Ibrahim Kamau, um dos mortos em 2024, expressou sua indignação: "Fomos bloqueados pela polícia ao tentarmos prestar homenagem a nossos filhos. Isso é muito vergonhoso". Ela pediu justiça e compensação para as famílias afetadas.
Os organizadores dos protestos exigem investigações credíveis sobre a conduta policial e garantias contra o uso excessivo da força. Apesar de Ruto reconhecer a existência de "excessos e ações extrajudiciais" por parte das forças de segurança, ativistas afirmam que os 2 bilhões de xelins quenianos (aproximadamente R$ 15,5 milhões) destinados às vítimas não são suficientes.
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