Psicologia dos teorias da conspiração: desafios na pesquisa

A psicologia não é uma ciência exata, o que pode incomodar alguns pesquisadores no campo. No entanto, é importante mencionar que estudar a psicologia das teorias da conspiração – por que as pessoas acreditam nelas e o impacto delas – é um campo de pesquisa complexo, com conclusões difíceis de serem derivadas.

Isso ocorre em parte devido a um dos problemas básicos da psicologia, seja no tratamento ou na pesquisa, que é a dependência da autoconsciência dos indivíduos.

No caso dos ataques terroristas de 9/11, algumas pessoas continuam a acreditar que foi 'um trabalho interno', organizado por um clube secreto e poderoso de vilões no governo americano, com o intuito de controlar as vidas dos cidadãos através do medo. Mas isso pode ser verdade. Também pode ser verdade que você, como acredita nessa teoria, sempre sentiu que pessoas poderosas – seus pais ou professores – controlaram e limitaram sua autonomia na vida. Você pode até ter uma memória falsa de como os ataques terroristas evoluíram naquele dia de 2001. Então, se alguém perguntasse: 'O que realmente aconteceu?', você poderia realmente dizer com certeza?

Limitações na coleta de dados

O professor Neil Dagnall, da Universidade Metropolitana de Manchester, explicou em entrevista à DW que, embora o auto-relato seja uma maneira estabelecida de medir conspirações, ele não é perfeito.

Os dados de auto-relato são difíceis de lidar porque cada julgamento que uma pessoa faz sobre si mesma é relativo, subjetivo e aberto a influências externas e viéses. As respostas podem mudar de dia para dia, especialmente quando envolvem emoções ou sentimentos sobre o estado mental, dependendo de uma série de eventos e experiências na vida de uma pessoa. Além disso, não há uma escala comum.

Diz-se, por exemplo, que você e um amigo foram perguntados: 'Você está feliz?' Você ambos podem dizer 'sim', mas suas razões podem ser completamente diferentes e sujeitas a diferentes variáveis. O mesmo se aplica a uma pergunta como 'Você acredita em teorias da conspiração?'

'O julgamento que estou fazendo é relativo. Qual é meu padrão? Estou comparando-me com amigos que não acreditam em conspirações ou estou em um grupo de pessoas que acreditam em conspirações? Sempre estamos fazendo julgamentos relativos sobre nossas propensões psicológicas,' disse Dagnall.

Isso sugere que é improvável que alcancemos uma resposta definitiva. Os dados de auto-relato sugerem correlações, não causas.

Observação do comportamento oferece pistas

Há maneiras de 'triangular' os dados de auto-relato, como os autores do estudo sugeriram, para obter uma leitura mais confiável e objetiva do estado emocional ou psicológico de uma pessoa.

Por exemplo, os psicólogos usam observações comportamentais, como a medição da variabilidade da frequência cardíaca, ou Respostas Cutâneas Galvanizantes, como a condutividade elétrica da pele, que é afetada,