Em Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, agricultores têm se tornado importantes aliados da pesquisa científica ao monitorar a fauna da Mata Atlântica. A colaboração ocorre através do Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma), que implementa projetos de ciência cidadã, permitindo que moradores de áreas rurais contribuam com dados valiosos sobre a natureza.

A pesquisadora Mariane Kaizer, do Inma, destaca que “a propriedade rural é um laboratório a céu aberto”. Os agricultores estão envolvidos em projetos como “Eu vi um macaco no mato”, onde registram a presença de primatas, como bugios e macacos-prego, anotando informações sobre horários, quantidades e comportamentos.

Monitoramento de anfíbios

À noite, o foco se volta para os sapos, através do projeto “Cantoria de Quintal”, coordenado pelo pesquisador João Victor Andrade Lacerda. Moradores gravam os cantos dos sapos encontrados em suas propriedades, permitindo o mapeamento de espécies raras e ameaçadas.

Estudo dos beija-flores

Outro projeto em desenvolvimento utiliza tecnologia para acompanhar os beija-flores, aves icônicas da região. Coordenado por José Eduardo Mantovani, o estudo envolve a instalação de microchips nas aves para registrar suas visitas a bebedouros, ampliando o monitoramento.

Integração entre agricultura e conservação

A historiadora Aline dos Santos Gonçalves ressalta que a participação dos agricultores evidencia a complementaridade entre a conservação ambiental e a produção rural. Ela enfatiza a necessidade de se entender os limites naturais para garantir a continuidade da produção agrícola.

Com essa colaboração, a experiência de Santa Teresa ilustra como a ciência e a agricultura podem se unir para preservar um dos biomas mais ameaçados do Brasil, valorizando o conhecimento acumulado ao longo das gerações e fortalecendo a importância dos produtores na conservação da Mata Atlântica.