A insegurança no campo tem impactado a rotina de agricultores no Norte do Espírito Santo, especialmente durante a colheita de culturas como café e pimenta-do-reino. O receio de furtos e roubos levou os produtores a adotar medidas de segurança mais rigorosas e a mudar a forma como armazenam suas produções.

Dados da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) indicam que, em 2022, foram registrados 44 casos de furtos e roubos na região. Em 2026, já são 16 ocorrências, sendo 14 delas em áreas rurais.

Adoção de novas práticas

Em São Mateus, o produtor de pimenta-do-reino Neomar Pastorini optou por não armazenar mais a produção de seus clientes após ter sua propriedade invadida e equipamentos furtados. “Conversei com os produtores e combinei o seguinte: tudo que eu seco, ainda à tarde ou no outro dia, eles precisam buscar. Eu presto o serviço, mas não fico mais responsável por armazenar nada para ninguém. Não tem como trabalhar na nossa região de outro jeito”, afirmou.

Pastorini lembrou que a realidade no campo era diferente há alguns anos. “Antes, se você deixasse uma saca de café no meio da lavoura, ela brotava dentro do saco. Hoje, em 24 horas, eles te roubam”, comparou. Os relatos de produtores apontam que os criminosos visam produtos de alto valor comercial, como pimenta-do-reino, café e gado.

Medidas de segurança e apoio policial

Em resposta a essa situação, muitos agricultores têm investido em câmeras de monitoramento, cães de guarda e maior controle de acesso às propriedades. O Conselho de Segurança Pública (Consel) da região recomenda cuidados na contratação de trabalhadores temporários durante a colheita. “É importante identificar o trabalhador, conferir documentos e buscar referências, consultar o histórico criminal. O proprietário precisa saber quem está entrando na propriedade”, disse o presidente do Consel, Edval Sant'Ana.

Outras orientações incluem evitar pagamentos em dinheiro vivo, não realizar o transporte de cargas durante a noite e guardar máquinas e equipamentos em locais fechados e protegidos. Para combater esses crimes, a Polícia Militar lançou a Operação Colheita 2026, que começou em março e se estenderá até 15 de novembro, com o objetivo de aumentar o policiamento nas comunidades rurais.

O produtor Almir Gaburro destacou a importância da presença policial em sua propriedade: “Nós temos a visita da polícia aqui na propriedade. Eles entram até nas áreas de café, fazem rondas e estão sempre presentes. Isso é muito importante para quem vive e trabalha no campo”. A PM enfatiza que a operação visa prevenir furtos e roubos, além de promover uma maior sensação de segurança entre os agricultores durante a safra.

O Espírito Santo se destaca como o maior produtor de café conilon do Brasil, representando cerca de 70% da produção nacional, e a atividade é responsável por aproximadamente 38% do PIB agrícola do estado. O período de colheita ocorre de maio a agosto. Em relação à pimenta-do-reino, o estado também lidera a produção e exportação, respondendo por mais de 60% da safra nacional, com uma estimativa de cerca de 80 mil toneladas. Essas culturas são fundamentais para a economia capixaba, movimentando bilhões de reais anualmente.