A economia de zero emissões no Reino Unido está em franca expansão, gerando £100 bilhões por ano e superando outros setores, além de oferecer empregos com salários superiores à média. Contudo, Andy Burnham, considerado um potencial próximo primeiro-ministro, é pressionado a reconsiderar a defesa do Partido Trabalhista em relação às metas de energia renovável e indústria de baixo carbono.
Segundo Luke Tryl, diretor executivo da organização de pesquisa More in Common, ‘o zero emissões é um dos poucos elementos que une a coalizão do Partido Trabalhista’. Pesquisas indicam que mais de 60% da população apoia ações climáticas, apesar de a crise do custo de vida ser prioridade. Muitos eleitores, incluindo um terço dos apoiadores do partido Reform, demonstram apoio ao zero emissões.
As recentes eleições locais mostraram que o Partido Trabalhista perdeu votos para partidos como os Verdes e os Liberal-Democratas, sugerindo que uma mudança na postura sobre o zero emissões poderia resultar em mais perdas do que ganhos eleitorais. Joe Dromey, secretário-geral da Fabian Society, alerta que a diluição das políticas verdes do partido pode prejudicar suas chances de recuperar esses eleitores.
Além das considerações políticas, as medidas para enfrentar a crise climática podem ter um impacto econômico positivo. Apesar de sindicatos como Unite e GMB pedirem o fim da proibição de novas perfurações no Mar do Norte, a maioria dos sindicatos apoia as metas de zero emissões. Alasdair Johnstone, do think tank Energy and Climate Intelligence Unit, defende que a revolução tecnológica limpa está impulsionando a reindustrialização em regiões como Humber e North East.
Burnham, que já teve um histórico forte em questões ambientais como prefeito de Manchester, tem a responsabilidade de promover um programa climático ambicioso. A recente onda de calor no Reino Unido evidencia os riscos da crise climática, e especialistas como Angharad Hopkinson, da Greenpeace UK, afirmam que a dependência de combustíveis fósseis deve ser reduzida. ‘O próximo primeiro-ministro precisa agir com base nas evidências e manter o curso nas políticas climáticas’, conclui.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.