Os preços do petróleo caíram a níveis não vistos desde antes do início da guerra no Irã, em fevereiro, com o barril de Brent sendo negociado a US$ 72,24 na última quinta-feira. Esse valor é ligeiramente inferior ao registrado um dia antes do início dos ataques aéreos dos EUA e de Israel contra Teerã, em 28 de fevereiro. Em apenas um mês, os preços caíram mais de 20%.
O contrato de Brent para entrega em agosto estava sendo negociado a um preço inferior ao de setembro, que foi fixado em US$ 73,59, indicando um suprimento abundante a curto prazo.
Tráfego no Estreito de Ormuz aumenta
Segundo dados da CNN e MarineTraffic, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial, dobrou nas últimas 24 horas, alcançando o nível mais alto desde o fim de fevereiro. A analista sênior da Swissquote, Ipek Ozkardeskaya, afirmou que a notícia de que os navios estão transitando pelo estreito com seus sinais de satélite ativados ajudou a pressionar os preços para baixo.
Ozkardeskaya comentou: “Uma combinação de liberações estratégicas de estoques, o colapso na demanda da China, maior comprador, e um número considerável de petroleiros deixando o Golfo Pérsico 'sem sinal' contribuíram para um pequeno excedente em alguns mercados importantes”.
Tensões geopolíticas e previsões do mercado
Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club, observou que as preocupações com uma crise energética global prolongada devido ao conflito no Irã estão diminuindo, com os preços do petróleo voltando a níveis pré-crise. Entretanto, a Europa permanece cautelosa, lidando com os efeitos de uma onda de calor recorde e com o crescimento econômico fraco.
Ozkardeskaya previu que os preços do petróleo devem oscilar entre US$ 60 e US$ 80 por barril nas próximas semanas, com riscos geopolíticos ainda presentes e a demanda da China começando a se aquecer à medida que as tensões diminuem.