Após um intenso conflito, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, sinalizaram a possibilidade de estabelecer novos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza. Essa discussão surge em um contexto de devastação e mortes significativas na região, onde mais de 73 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra.

Desenvolvimentos Recentes

Na última segunda-feira, Smotrich afirmou que seu ministério havia elaborado planos para três assentamentos no norte de Gaza, aguardando apenas a aprovação de Netanyahu para prosseguir. No dia seguinte, em uma entrevista a um canal de televisão israelense, Netanyahu não descartou a possibilidade de novos assentamentos, afirmando que preferia não comentar o assunto, mas insinuando que ações poderiam ser tomadas.

Atualmente, os assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental são considerados ilegais sob a lei internacional. A situação em Gaza tem sido marcada por uma crise humanitária, com acusações de que Israel impôs uma fome deliberada aos sobreviventes e que a população restante é alvo de uma limpeza étnica, conforme caracterizado por juristas internacionais.

Contexto Político e Social

A proposta de assentamentos em Gaza surge em um momento em que a política israelense está em ebulição, com eleições previstas. Smotrich, que condicionou sua permanência na coalizão governamental ao aumento do controle sobre a política de assentamentos, busca fortalecer sua base entre os eleitores de direita. Segundo o professor Neve Gordon, da Queen Mary University de Londres, a retórica em torno dos assentamentos visa apelar a um público que tem se mostrado indiferente à devastação em Gaza.

Desde a retirada israelense de Gaza em 2005, grupos de direita, como a organização Nachala, têm promovido a ideia de um retorno ao território. Recentemente, a organização realizou uma conferência para discutir a resettlement, com a presença de ministros do governo, incluindo Smotrich e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.

Analistas políticos apontam que, enquanto Smotrich tem promovido com sucesso os interesses dos assentamentos na Cisjordânia, sua popularidade nas pesquisas eleitorais é preocupante, o que pode explicar seu desejo de aumentar a narrativa em torno dos assentamentos em Gaza.

Implicações Internacionais

A construção de assentamentos em Gaza poderia enfrentar reações internacionais, mas muitos especialistas acreditam que o apoio contínuo dos Estados Unidos e a relação comercial com a Europa podem minimizar as consequências. Hugh Lovatt, do European Council on Foreign Relations, observa que, apesar de críticas, houve pouca ação efetiva contra a expansão dos assentamentos, o que levanta questões sobre a eficácia de uma resposta internacional a uma possível nova construção em Gaza.

Com a atenção global frequentemente voltada para Gaza, a questão permanece se esse foco poderá influenciar as decisões de Israel em relação aos assentamentos e à situação da população local.