Não se trata de nostalgia, e sim de constatação: a cobertura dos cadernos ditos culturais dos jornais e revistas brasileiros perdeu qualidade e está, por assim dizer, “morrendo”. Tais publicações são mais de entretenimento do que de cultura. O problema não é incluir o entretenimento, as “reportagens” mais para vender o “produto” do que iluminá-lo.
O problema é outro. Trata-se do aumento do espaço para entretimento para excluir o espaço para o debate cultural e resenhas alentadas. Há, porém, revistas de qualidade, como a “451” (alterna boas com edições razoáveis, talvez por receio de não agradar os adeptos das pautas identitárias), “Cult”, “Pernambuco” e “Continente”.
Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo parecem mais preocupados em resenhar lançamentos, notadamente os que fazem sucesso comercial ou que agradam as novas patotas, do que discutir a cultura de maneira mais profunda O jornal “Rascunho”, editado por Rogério Pereira, resiste bravamente, do Paraná para o país. Os três maiores jornais do país, “Folha de S.
Paulo”, “Estadão” e “O Globo”, parecem mais preocupados em resenhar lançamentos, notadamente os que fazem sucesso comercial ou que agradam as novas patotas — Annie Ernaux, Édouard Louis e Emanuel Carrère, para citar apenas três (e não se está dizendo que são ruins; pelo contrário, são bons) —, do que discutir a cultura de maneira mais ampla e profunda. Os três escritores mencionados são divulgados como “estrelas”, ou seja, famosos, não como escritores de qualidade.
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