Em 1975, recém-casado, mudei-me de Goiânia para Porto Alegre com minha jovem mulher. Estabelecemo-nos ali com grandes dificuldades e restrições orçamentárias, pois tínhamos assumido o sustento da minha sogra, recém-enviuvada.
Conseguimos alugar um apartamento miúdo na Rua Dr. Flores, de onde, nos intervalos do trabalho ou nos dias de folga, eu passeava pelo centro e ia descobrindo o que a nova cidade tinha a me oferecer: a Discoteca Pública Natho Henn, a Biblioteca Pública próxima ao Theatro São Pedro, que logo se tornaram meus redutos favoritos; a Aliança Francesa, onde eu e minha mulher éramos alunos; e, bem perto de casa, na mesma Rua Dr. Flores, o Instituto Goethe.
Herbert Caro fugiu da Alemanha nazista do Adolf Hitler e, em 9 de maio de 1935, desembarcou no Brasil, depois de três meses de aulas de português em Berlim. Ele e Nina passaram dificuldades, mas sobreviveram.
No Clube de Cultura de Porto Alegre, no bairro judeu do Bonfim, aproximei-me de um grupo de jovens escritores e tive a honra de conhecer alguns nomes famosos da Porto Alegre literária de minha mocidade, como Dyonélio Machado, Moacyr Scliar, Caio Fernando Abreu e Josué Guimarães. De Herbert Caro, infelizmente, só conheci a figura pública, em sua coluna semanal no jornal ‘Correio do Povo’.
A fama de Herbert Caro, contudo, já era grande em Porto Alegre. O amigo que me incentivou a escrever sobre ele certamente supunha que eu o havia conhecido na juventude vivida na cidade. Talvez pensasse como Rosana J. Candeloro, que, em ‘Um intelectual multifacetado’, observa: ‘Todos conhecem um Otto Maria Carpeaux, um Paulo Rónai, um Anatol Rosenfeld. (…) Herbert Caro, por sua vez, é conhecido por muitos apenas como um nome expressivo da arte de traduzir’.
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