Um dos quatro centros de distribuição da Wildberries atingidos nos ataques. A unidade de Nevinnomyssk foi atacada na madrugada de quarta-feira (22/7) REUTERS Em poucos dias, drones ucranianos atingiram vários centros de distribuição da Wildberries, a maior varejista online da Rússia, causando prejuízos a um grande número de pequenas e médias empresas. Depois de meses atacando depósitos e refinarias de petróleo, a Ucrânia afirma que agora passou a mirar centros logísticos usados para comprar equipamentos militares, numa tentativa de interromper o abastecimento do Exército russo.
Mas a ofensiva também afetou centenas de vendedores russos que dependem de mercados virtuais (como a Amazon ou o Mercado Livre) para vender e sobreviver, fazendo a guerra chegar mais perto da rotina de muitos deles pela primeira vez em quase quatro anos e meio. "Sou mãe de uma criança com deficiência e construí esse negócio sozinha", escreveu uma mulher em uma publicação repleta de palavrões nas redes sociais que acabou viralizando. "Perdi 1 milhão de rublos [cerca de R$ 65 mil]...
Como se já não estivéssemos sendo ferrados de todos os lados." No primeiro ataque da Ucrânia contra a Wildberries, no fim de semana, dois centros de distribuição foram atingidos: um deles em Elektrostal, a leste de Moscou, e outro em Kotovsk, na região de Tambov, a cerca de 400 km da fronteira com a Ucrânia. Sete funcionários que trabalhavam no turno da noite morreram em Kotovsk, e outro morreu em Elektrostal. Dezenas de pessoas ficaram feridas, e o prejuízo com mercadorias destruídas foi avaliado em cerca de R$ 5,1 bilhões.
Estima-se que entre 85% e 90% da população economicamente ativa da Rússia use a Wildberries ou sua concorrente, a Ozon. Em muitas regiões remotas, onde há poucas lojas físicas, essas plataformas são o principal meio de compras para produtos que vão de roupas a eletrodomésticos. A Ucrânia afirmou ter atingido "importantes centros logísticos" usados para "fornecer componentes sujeitos a sanções destinados à produção de drones e equipamentos de navegação".
Outros centros logísticos foram atacados na madrugada de segunda-feira (20), entre eles mais um centro de distribuição da Wildberries em Koledino, ao sul de Moscou. Novos ataques, entre a noite de terça-feira (21) e a madrugada de quarta-feira (22), atingiram centros logísticos da empresa em Krasnodar e Nevinnomyssk, na região de Stavropol. Ataques registrados entre 18 e 22 de julho BBC A proprietária da empresa, Tatiana Kim, informou que houve esses ataque deixaram mais vítimas.
"Estamos, com toda razão, levando a guerra de volta para dentro da Rússia", afirmou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, a Rússia vem atacando cidades ucranianas com drones e mísseis. Nos últimos meses, ofensivas russas também atingiram armazéns e terminais de carga na Ucrânia.
Centros de triagem da Nova Poshta, a maior empresa privada de entregas da Ucrânia, foram alvo de ataques, assim como depósitos da rede varejista ATB e do grupo de confeitaria Roshen. Com a linha de frente praticamente estagnada, a Ucrânia intensificou a sua campanha de ataques com drones de longo alcance contra rotas de abastecimento e instalações de energia.
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