Uma nova plataforma digital, desenvolvida sob a liderança do CIIMAR, está tornando a biodiversidade marinha de Portugal mais acessível ao reunir milhares de recursos biológicos em um único ponto de acesso. A Blue Biobanks Digital Research Platform tem como objetivo conectar a pesquisa científica e a indústria, facilitando a identificação de organismos e materiais biológicos com aplicações potenciais em biotecnologia, bioremediação, aquicultura, saúde, cosméticos, entre outros.

Centralização de recursos biológicos

Parte do projeto Portugal Blue Digital Hub, a plataforma funciona como um repositório digital centralizado que conecta diversos biobancos marinhos portugueses. Isso permite que os usuários pesquisem culturas vivas, espécimes preservados, material genético ou extratos biológicos sem a necessidade de consultar múltiplos bancos de dados independentes.

De acordo com Ana Paula Mucha, pesquisadora principal do Portugal Blue Digital Hub no CIIMAR, a plataforma estabelece uma ligação direta entre o conhecimento científico e a inovação. "Esta plataforma foi projetada para conectar os biobancos azuis com os diferentes setores da economia azul. Figurativamente, os biobancos guardam tesouros subaquáticos, enquanto a plataforma serve como o mapa que leva a esses tesouros," afirmou.

Mais de 10 mil registros integrados

Atualmente, a plataforma integra mais de 10.000 registros de cinco biobancos portugueses: a Coleção de Culturas de Biotecnologia Azul e Ecotoxicologia (LEGE-CC), a Coleção de Culturas Microbianas do CIIMAR (CM2C), a Coleção de Algas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Coleção Biológica que Apoia a Pesquisa da Universidade de Aveiro (CoBI-DBUA) e a DEEP-Biobank.

Ao centralizar esses recursos, a plataforma simplifica o acesso a informações científicas que antes estavam dispersas entre diferentes instituições, seguindo os princípios FAIR, que garantem que os dados sejam Encontráveis, Acessíveis, Interoperáveis e Reutilizáveis.

Maria Luís Bôto, pesquisadora do CIIMAR envolvida no desenvolvimento da plataforma, comenta: "Por meio de um único ponto de acesso, a plataforma facilita a descoberta de organismos vivos, como bactérias, cianobactérias e microalgas, além de organismos preservados, incluindo corais e esponjas, coletados de uma ampla gama de ambientes marinhos."

Além da busca por organismos, os usuários podem explorar recursos conforme suas potenciais aplicações em diferentes setores da economia azul, que incluem biotecnologia azul, aquicultura, proteção ambiental e restauração, gestão hídrica e transporte marítimo. A plataforma também permite que os usuários contatem biobancos diretamente, solicitem serviços especializados e obtenham orientações científicas para apoiar o desenvolvimento de novos produtos e processos.

Valorização do patrimônio biológico

As coleções biológicas reunidas por meio da plataforma representam um ativo científico valioso. Além de preservar organismos vivos, tecidos, DNA, RNA e outros materiais biológicos para pesquisas futuras, essas coleções fornecem uma base essencial para o desenvolvimento de soluções inovadoras em áreas como farmacêuticos, cosméticos, nutracêuticos e bioplásticos, bem como em tecnologias de bioremediação.

Nos próximos anos, espera-se que a Blue Biobanks Digital Research Platform continue a se expandir, integrando biobancos adicionais e aumentando os recursos biológicos disponíveis em cada coleção. Ao reunir infraestrutura científica, dados e indústria, a plataforma visa fomentar a inovação, promover o uso sustentável da biodiversidade marinha e fortalecer a competitividade da bioeconomia azul.