Andy Burnham, o recém-eleito deputado por Makerfield e amplamente considerado o próximo primeiro-ministro britânico, pode enfrentar severas restrições financeiras se optar por um aumento no endividamento para financiar uma agenda política mais ambiciosa. Especialistas em investimentos em títulos alertam que o cenário fiscal do Reino Unido está frágil e que qualquer sinal de aumento no endividamento pode provocar uma reação negativa dos mercados.

Mark Dowding, diretor de investimentos da hedge fund RBC BlueBay, afirmou: "Ele está preso pelo fato de que as finanças do governo estão em uma posição fraca, e se ignorar essa realidade, poderá enfrentar pressão rapidamente". A situação atual ainda é influenciada pelo polêmico mini-orçamento de Liz Truss, que deixou marcas na política fiscal do país.

Burnham expressou preocupações no passado sobre o Reino Unido estar "endividado" em relação aos mercados de títulos, embora tenha moderado sua posição em entrevistas subsequentes. Dowding acrescentou que os mercados tendem a ser céticos se Burnham tentar ser muito ousado em suas propostas.

Se assumir o cargo, o ex-prefeito de Manchester deverá cumprir promessas de nacionalização de serviços essenciais e um programa de construção de habitações populares. No entanto, o financiamento dessas iniciativas permanece incerto. Durante sua campanha, Burnham se comprometeu a seguir as regras fiscais estabelecidas por Rachel Reeves, indicando que não promoverá um aumento drástico no endividamento.

Além disso, ele se comprometeu com a proposta do Partido Trabalhista de não aumentar impostos sobre a renda, VAT ou seguro nacional, o que limita suas opções de arrecadação. Andrew Goodwin, economista-chefe da Oxford Economics, destacou que Burnham enfrentará um cenário desafiador e que terá que lidar com a realidade fiscal e não com ideais.

Recentemente, Jim O’Neill, ex-economista-chefe do Goldman Sachs, sugeriu que o governo poderia aumentar o endividamento para investir em infraestrutura, propondo a criação de um órgão independente para esse fim. A escolha do novo chanceler será crucial para determinar a direção das políticas econômicas de Burnham, segundo analistas.

Jonas Goltermann, economista-chefe de mercados da Capital Economics, ressaltou que a política interna é importante, mas o que ocorre no cenário internacional, como o conflito no Irã, pode ter um impacto ainda maior nas finanças do Reino Unido.