Pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, apresentaram uma nova forma de seda que supera uma das principais limitações do material: a perda de forma após a exposição à umidade. A seda, que é valorizada há mais de 4.000 anos por suas qualidades estéticas e funcionais, agora se torna mais robusta e estável, com aplicações potenciais que vão além da moda.
Inovação através da alimentação dos bichos-da-seda
A equipe de pesquisa focou em um estágio anterior ao processamento da seda, alterando a dieta dos bichos-da-seda. A adição de nanofibras de celulose, derivadas de plantas, à alimentação dos insetos resultou em fibras de seda com 50% mais resistência à tração e uma redução na contração após a umidade para menos de um quarto em comparação à seda convencional. Essas melhorias foram observadas mesmo após a seda ser transformada em fios e tecidos, indicando a viabilidade do uso prático dessa nova 'super seda' em produtos finais.
Um método sustentável para a indústria têxtil
Os pesquisadores ressaltam que, ao contrário de outros métodos que podem exigir tratamentos químicos tóxicos ou mudanças extensivas no processo de produção da seda, a simples modificação da dieta dos bichos-da-seda representa uma abordagem prática e ambientalmente amigável. “Nosso objetivo era aprimorar a seda enquanto preservávamos suas vantagens naturais. Ficamos animados ao descobrir que essa mudança na dieta resultou em uma seda que é mais forte e muito mais estável em ambientes úmidos”, comentou o professor associado Hiroki Kurita.
A pesquisa foi publicada no Journal of Industrial Textiles e sugere que pequenas alterações durante a produção da seda podem impactar significativamente o desempenho dos produtos têxteis acabados. Os pesquisadores esperam que essa abordagem sustentável contribua para o desenvolvimento de têxteis funcionais de próxima geração, ampliando as aplicações da seda, que já é utilizada em setores como a medicina, para suturas cirúrgicas e biomateriais que promovem a cicatrização de feridas.
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