O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, que teve parte de sua trajetória religiosa ligada à cidade de Anápolis, voltou a se pronunciar sobre sua excomunhão, imposta pela Arquidiocese de Brasília. Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira (16), ele criticou a severidade da punição e comparou seu caso a situações envolvendo outros religiosos investigados ou condenados por crimes de abuso sexual no Distrito Federal.

“Pelo que me consta, é a primeira vez que Dom Paulo César expulsa um sacerdote por ser católico”, declarou Françoá, referindo-se ao arcebispo. O padre argumentou que sanções tão rigorosas costumam ser aplicadas em casos de escândalos morais e citou cinco religiosos envolvidos em episódios de grande repercussão.

Casos citados pelo padre

Durante a gravação, Françoá mencionou os seguintes casos:

  • Padre Delson Zacarias: condenado a mais de 40 anos de prisão por crimes sexuais;
  • Padre José Maria: acusado de atos libidinosos homossexuais;
  • Frei Hoslan Guedes: investigado por suspeita de abuso sexual contra menores;
  • Frei Alex Nuno: também sob investigação por suspeitas semelhantes;
  • Dom Valdir Mamede: réu por importunação sexual contra um sacerdote.

Após listar os casos, o padre reforçou que sua situação é distinta. “Tenho 22 anos de sacerdócio. Na verdade, vou completá-los no próximo dia 8 de dezembro. Graças a Deus, nunca saí com uma mulher, nunca saí com homem, nunca saí com uma criança e nunca roubei uma paróquia”, afirmou.

Contexto da excomunhão

A manifestação de Françoá representa um novo capítulo na crise entre ele e a Arquidiocese de Brasília. Na semana anterior, a instituição anunciou que o padre passou a ser considerado em situação de cisma e excomunhão devido à sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, um grupo que se tornou controverso após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa.

O religioso já havia declarado anteriormente que não se considera excomungado nem cismático, e sustentou que os sacramentos que ele celebra continuam válidos. Françoá foi incardinado na Diocese de Anápolis em 2004, ano em que recebeu a ordenação sacerdotal. Durante sua passagem por Anápolis, atuou como pároco da Paróquia Nossa Senhora D’Abadia e capelão da Capelania Universitária Santa Clara.

Até a publicação desta matéria, a Arquidiocese de Brasília não havia se manifestado sobre as novas declarações do padre.