AFP via Getty Images/BBC Estou no meu escritório, de pé diante do notebook, dançando de forma desajeitada ao som de uma playlist de sucessos de verão. É uma da tarde e estou no trabalho — mas isso não é apenas mais uma estratégia de procrastinação. Estou dançando para beneficiar meu cérebro.

Existem inúmeras recomendações sobre quanto e quando nos exercitarmos — e, muitas vezes, isso é tratado como algo muito sério. Mas seguir técnicas específicas ou se preocupar demais com a forma correta de executar os movimentos pode tirar a diversão da atividade física ou, pior ainda, fazer com que adiemos o momento de se exercitar. É muito fácil passar o dia todo quase sem se mover.

Por isso, quando um colega me disse que dançar poderia trazer diversos efeitos positivos para o meu humor e o meu cérebro, decidi verificar se eu mesma conseguiria experimentar esses benefícios com mais regularidade. Agora no g1 Para isso, propus-me o desafio de fazer uma pausa de cinco minutos para dançar todos os dias, durante uma semana, para ver se notava alguma melhora no humor e na produtividade. No primeiro dia, pareceu um pouco estranho dançar sozinha, no meio do expediente.

Mas, ao voltar a me sentar, senti-me mais energizada em um horário em que, normalmente, costumo me sentir um pouco letárgica. Surpreendentemente, a experiência foi tão prazerosa que eu teria continuado a dançar por mais tempo com gosto. O que vivenciei é comprovado por evidências.

A dança oferece uma combinação única de benefícios físicos, cognitivos e sociais que a diferencia de outras formas de exercício. E praticá-la — mesmo que por apenas cinco minutos, como descobri — traz inúmeros benefícios para a saúde, especialmente para a do cérebro. Dança melhora o condicionamento físico À medida que envelhecemos, tendemos a "desaprender a dançar", mas nascemos para isso, afirma Peter Lovatt, psicólogo especializado em dança e ex-dançarino profissional.

Um dos principais motivos pelos quais a dança é tão benéfica é a combinação de movimento e ritmo. Somos biologicamente predispostos ao movimento e ao ritmo, mesmo ainda no útero. Apenas cinco minutos de dança podem melhorar o seu foco Getty Images/BBC Pesquisas recentes revelaram que recém-nascidos já conseguem antecipar padrões rítmicos.

"A dança consegue, de alguma forma, unir três aspectos realmente importantes para a nossa saúde e o nosso bem-estar que outras atividades não proporcionam simultaneamente", afirma a neurocientista e ex-bailarina profissional Julia F. Christensen, do Instituto Max Planck de Estética Empírica, na Alemanha. Esses benefícios, explica Christensen, são o exercício aeróbico, a conexão social e a alegria de se expressar criativamente por meio da música.

Dançar pode melhorar o condicionamento físico e, ao dançarmos com outras pessoas, obtemos os benefícios adicionais da socialização para a saúde. Quando sincronizamos nossos movimentos com os de outras pessoas, nosso corpo libera endorfinas — que geram sensação de bem-estar — e hormônios importantes para a criação de vínculos. Aula de Zumba em Londres Getty Images/BBC Benefícios cognitivos Dançar faz muito bem a nós porque envolve diversas partes do corpo, além do cérebro.