O movimento body positive, que defende a aceitação de todos os corpos independentemente da forma física, perdeu força nos últimos anos, segundo especialistas. Entre 2019 e 2022, o ativismo ganhou destaque no Brasil, mas atualmente enfrenta um retrocesso, com menos espaço para corpos fora do padrão nas passarelas e uma diminuição do apoio de marcas.
Emagrecimento de influenciadores gera polêmica
Nos últimos anos, várias figuras proeminentes do movimento decidiram emagrecer, o que gerou críticas e questionamentos sobre suas motivações. Um caso notável é o da influenciadora americana Thubten Donme, que, após emagrecer, se tornou alvo de críticas de antigos apoiadores que não compreendiam sua decisão.
No Brasil, Beta Boechat, uma das fundadoras do movimento Corpo Livre, passou por uma cirurgia bariátrica e justificou sua escolha, afirmando que chegou a um ponto em que perdeu totalmente a mobilidade. Beta mencionou que a reação de algumas pessoas foi agressiva, com cobranças para que ela se encaixasse em uma ideia de aceitação que não incluía o emagrecimento.
A evolução do discurso sobre aceitação corporal
Alexandra Gurgel, outra influenciadora que ajudou a fundar o Corpo Livre, também se afastou do discurso do body positive. Em declarações, ela expressou que, embora tenha acreditado que estava fazendo diferença, chegou um momento em que o ativismo não fazia mais sentido para sua vida. Alexandra, que atualmente está em processo de emagrecimento, destacou que a pressão sobre os militantes para não emagrecerem era intensa, com muitos acreditando que o movimento deveria ser sustentado apenas por pessoas gordas.
Além disso, o panorama cultural atual, exacerbado por mudanças políticas e sociais, contribuiu para a crise do body positive. Um relatório da Vogue Business indicou que as passarelas estão cada vez mais dominadas por tamanhos padrões, com apenas 0,9% dos looks sendo plus size. Essa tendência é vista como um reflexo de um fortalecimento do conservadorismo nos últimos anos, o que impactou o apoio a iniciativas de diversidade.
Especialistas apontam que a pandemia e a crescente popularidade de tratamentos para emagrecimento também influenciaram a percepção sobre a diversidade corporal. A influenciadora Dani Rudz observou que o discurso político adotado por figuras como Donald Trump teve efeitos negativos no apoio à diversidade nas empresas, resultando em um enfraquecimento das campanhas de body positive.
Os ativistas do movimento ressaltam que o body positive nunca teve como objetivo incentivar a obesidade, mas sim promover um respeito equilibrado por diferentes corpos. O desafio agora é redefinir o que significa aceitar e amar a própria imagem em um contexto onde a pressão para emagrecer continua forte.
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