Heloísa Rodrigues, de 28 anos, está em uma batalha judicial para remover o nome de sua mãe de todos os seus documentos. A biomédica e estudante de Ciências Econômicas relata que essa ação é uma tentativa de romper com um passado repleto de violência, maus-tratos e abusos sexuais, ocorridos durante sua infância e juventude.
História de abusos e maus-tratos
Nascida como Larissa, Heloísa conseguiu, em 2024, alterar seu prenome e retirar o sobrenome materno através da Justiça. No entanto, seu pedido para excluir o nome da mãe dos registros civis, como a certidão de nascimento, foi negado. “Vou a lugares onde é necessário confirmar o nome da mãe, e sempre aparece o nome dela. Em hospitais, vem o nome dela na pulseira”, desabafou Heloísa, enfatizando que o vínculo registrado não reflete a relação vivida.
Desde a infância, Heloísa afirma ter sofrido agressões físicas, situação que se intensificou após a separação dos pais, quando tinha cerca de 5 anos. Em seu relato, ela menciona um incidente em que sua mãe colocou fogo em sua cama, resultando em queimaduras nela e no pai, que tentou salvá-la.
Documentos do Conselho Tutelar, aos quais o programa Fantástico teve acesso, revelam que Larissa começou a fazer denúncias contra a mãe ainda criança. Em abril de 2010, ela relatou maus-tratos envolvendo seus irmãos e, no mês seguinte, fez nova denúncia de agressões contra uma das irmãs. O pai de Larissa também buscou ajuda do Conselho, relatando que a filha apresentava quadros de depressão.
Denúncias de abuso sexual e processo judicial
Além dos maus-tratos, Heloísa afirma ter sido vítima de abusos sexuais desde os 9 anos, alegando que sua mãe ignorou as denúncias feitas e permitiu situações que resultaram em novos abusos. Em 2017, já adulta, Heloísa reuniu provas e fez um relato nas redes sociais, o que levou à investigação de dois homens, que foram posteriormente condenados por violência sexual.
Após deixar a casa da mãe em 2021, Heloísa iniciou o processo para alterar sua identidade civil, que foi aceito em parte pela Justiça. O juiz autorizou a mudança do nome e a retirada do sobrenome, mas negou a exclusão do nome da mãe dos documentos, argumentando que não há respaldo legal para apagar o registro da maternidade biológica.
A defesa de Heloísa recorreu da decisão, sustentando que o Direito brasileiro admite diferentes formas de parentalidade. Especialistas divergem sobre a questão, com alguns defendendo a flexibilização dos registros em casos de violência comprovada.
Em 2025, Heloísa registrou nova denúncia contra a mãe, por violência doméstica e participação nos abusos, resultando em uma medida protetiva que exige que a mãe mantenha uma distância mínima de 500 metros. A mãe de Heloísa nega todas as acusações e afirma que a filha inventou histórias na infância para morar com o pai.
Atualmente, Heloísa trabalha em um banco e vive com sua companheira, ressaltando que a retirada do nome da mãe dos documentos é uma etapa crucial na sua reconstrução pessoal: “Quero me livrar disso”, afirmou.
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