A crise no Estreito de Ormuz instaurou um 'novo normal' para o mercado de petróleo, onde ameaças militares e disputas de controle da passagem impactam diretamente os preços e a logística global. A situação se complica ainda mais para Donald Trump, que enfrenta os efeitos econômicos dessa escalada às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Nos últimos dias, confrontos entre Estados Unidos e Irã colocaram em risco o cessar-fogo estabelecido em junho, reacendendo preocupações sobre a segurança da navegação na região e elevando os preços do petróleo. Na segunda-feira (13), o barril do tipo Brent, referência internacional, subiu mais de 9%, alcançando US$ 83,04 após Trump afirmar que os EUA controlariam o Estreito de Ormuz e cobrariam 20% sobre as cargas que passassem pela rota.

Impacto da nova dinâmica no mercado

O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo, com cerca de 20% do petróleo consumido globalmente transitando por ali. A nova realidade no mercado é marcada por oscilações bruscas nos preços, mesmo sem uma interrupção efetiva no fornecimento.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, destaca que a volatilidade e a incerteza são características desse novo cenário. A possibilidade de interrupções leva armadores, seguradoras e refinarias a reagirem de forma preventiva, aumentando custos antes mesmo de um bloqueio real. A atenção mundial à rota se intensificou, fazendo com que qualquer declaração política relacionada aos EUA e Irã impacte imediatamente os preços.

Desafios para Trump e o eleitorado americano

A instabilidade nos preços do petróleo representa um desafio adicional para Trump, que busca preços mais baixos de energia para estimular a economia e conter a inflação. Nos Estados Unidos, uma alta nos preços do petróleo tem um efeito rápido sobre os combustíveis, uma vez que o governo não controla os preços da gasolina, ao contrário do que ocorre no Brasil.

Gunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, observa que o Irã percebeu a vulnerabilidade dos EUA em relação à energia e utiliza o Estreito de Ormuz como uma ferramenta de pressão, o que pode afetar diretamente a base eleitoral de Trump. Os preços da gasolina já registraram aumento nos EUA devido às novas tensões na região, com a média nacional alcançando US$ 3,84 por galão em 9 de julho.

Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, projeta que um petróleo acima de US$ 90 por barril seria problemático para Trump em um período eleitoral. Ele acredita que o presidente americano tentará evitar que os preços ultrapassem esse limite para minimizar os impactos sobre a inflação e os combustíveis.

Com a expectativa de que a situação no Estreito de Ormuz continue tensa, especialistas como Jackson Campos preveem que o mercado se adaptará à nova realidade, buscando diversificar fornecedores e estabelecer contratos mais flexíveis para mitigar riscos.