A instabilidade no Estreito de Ormuz tem gerado um 'novo normal' no mercado de petróleo, impactando diretamente preços e cadeias de abastecimento globais, em meio a ameaças militares e disputas geopolíticas. A situação se agrava com o aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos, colocando em xeque a segurança da navegação na região, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.
O estreito, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Na última segunda-feira (13), o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, subiu mais de 9%, alcançando US$ 83,04, após o presidente Donald Trump anunciar a intenção de os EUA controlarem a passagem e imporem uma taxa de 20% sobre as cargas que utilizarem a rota.
Volatilidade e incerteza no mercado
Jackson Campos, especialista em comércio exterior, destaca que a principal característica desse novo cenário é a volatilidade. Segundo ele, a possibilidade de interrupção no fornecimento provoca reações preventivas de armadores, seguradoras e refinarias, elevando os custos antes mesmo de um bloqueio efetivo. “Não se trata da falta de petróleo em si, mas do risco que essa situação representa”, afirma Campos.
Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), ressalta que o Estreito de Ormuz se tornou a referência principal para a formação dos preços do petróleo no curto e médio prazo. Ele aponta que os recentes conflitos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, evidenciam uma conexão estreita entre segurança energética e inflação. “Enquanto a disputa pelo controle do estreito não for resolvida, viveremos períodos de tensão”, complementa.
Desafios eleitorais para Trump
A incerteza no mercado de petróleo representa um desafio adicional para Donald Trump, que busca preços mais baixos para estimular a economia americana e controlar a inflação. Nos EUA, a alta dos preços do petróleo impacta rapidamente os combustíveis, o que não acontece da mesma forma no Brasil, onde a Petrobras desempenha um papel relevante na formação dos preços.
Gunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, observa que o Irã tem explorado a vulnerabilidade dos EUA em relação ao impacto dos preços da energia na economia. “O Irã compreendeu que fechar o Estreito de Ormuz aumentaria o preço do petróleo e afetaria o eleitorado de Trump”, afirma Rudzit. Com a escalada das tensões, os preços da gasolina nos EUA já começaram a subir, atingindo uma média de US$ 3,84 por galão em 9 de julho.
Diante da proximidade das eleições de meio de mandato, em novembro, a Casa Branca está atenta a esses movimentos. Pires acredita que um preço do petróleo acima de US$ 90 por barril seria problemático para Trump, que deve tentar evitar que isso ocorra. “A expectativa é que até novembro não tenhamos petróleo acima desse patamar”, conclui.
Enquanto isso, o mercado deve se adaptar a essa nova realidade, diversificando fornecedores e buscando contratos mais flexíveis para minimizar os riscos associados ao Estreito de Ormuz.
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