A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que as mudanças climáticas aumentaram a vulnerabilidade da agricultura, demandando uma ampliação das políticas públicas para a adaptação da agricultura familiar. Em entrevista ao Poder360, a ministra ressaltou a importância de reduzir os riscos de perda de produção e renda, além de evitar impactos sobre a oferta e os preços dos alimentos.
“De fato, a atividade agrícola é uma atividade de risco e, no contexto de mudanças climáticas, esses riscos ficam majorados. A gente precisa ter estrutura, ainda mais em um país que é um grande produtor de alimentos, para amparar e garantir a renda para quem vive da agricultura familiar”, afirmou Machiaveli.
Investimentos Necessários para Adaptação
Segundo a ministra, a crescente frequência de secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos exige investimentos significativos para que os agricultores possam se adaptar às novas realidades. Essas medidas são cruciais não apenas para proteger a renda das famílias rurais, mas também para assegurar a oferta de alimentos e mitigar pressões inflacionárias.
Entre as ações sugeridas, estão o envio antecipado de cestas básicas para comunidades vulneráveis no Norte do Brasil antes do período de seca e o abastecimento de milho em pontos de venda da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) no Nordeste, visando atender criadores durante estiagens.
“Na região Sul, a mesma coisa, garantir formação de estoques agora, para que a gente possa também eventualmente ter que entrar para manter o preço dos alimentos com menor volatilidade. Eu estou preocupada com arroz, com milho”, declarou a ministra.
Estratégias para Enfrentamento de Crises Climáticas
Fernanda Machiaveli também mencionou que a Casa Civil está coordenando uma estratégia para lidar com os impactos potenciais de um possível El Niño e incêndios. O governo busca agir de forma preventiva para minimizar os efeitos desses eventos sobre a produção agrícola, garantindo uma resposta mais rápida se a situação se agravar.
No dia 30 de junho, durante o lançamento do Plano Safra, o governo criou um grupo de trabalho para monitorar os impactos do fenômeno climático El Niño no agronegócio brasileiro. Este grupo será responsável por mapear regiões e cadeias produtivas vulneráveis e propor medidas de mitigação, adaptação e proteção aos produtores rurais.
Em maio, organizações da sociedade civil alertaram o governo sobre a necessidade de implementar políticas de adaptação climática voltadas para as populações mais afetadas, destacando os efeitos de eventos extremos no Brasil e requisitando ações de prevenção contra enchentes, deslizamentos, secas e incêndios florestais.
No Plano Safra de 2026/2027, foram alocados R$ 400 milhões em recursos não reembolsáveis para ações de adaptação no semiárido, com o objetivo de financiar projetos que ajudem os agricultores familiares a conviver melhor com períodos prolongados de estiagem.
A ministra também destacou os instrumentos de proteção já existentes, como o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e o Garantia-Safra, que visam apoiar agricultores familiares em regiões suscetíveis a perdas por condições climáticas adversas.
Para Fernanda Machiaveli, a implementação dessas políticas é fundamental para fortalecer a capacidade de resposta da agricultura familiar frente às mudanças climáticas, evitando perdas de produção, redução de renda no campo e aumento dos preços dos alimentos para a população.
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